Com 13 faixas, participações de peso e produção refinada pela Boogie Naipe, rapper baiana consolida liderança feminina na cena urbana e conquista o mundo.
A ascensão meteórica de Duquesa ganha contornos definitivos de maturidade com a chegada do álbum Taurus, Vol. 2. Lançado pelo histórico selo Boogie Naipe — comandado por Mano Brown e Eliane Dias —, o disco não apenas eleva a barra estética do trap e do R&B nacional, como catapulta o nome da MC de Feira de Santana (BA) ao cenário global com uma expressiva indicação ao BET Awards 2024, na cobiçada categoria Viewer’s Choice: Best New International Act.
Sucessor do aclamado EP Taurus (2023), o segundo volume expande a identidade construída pela artista ao longo dos últimos anos: versatilidade melódica, lirismo confiante, celebração da independência feminina e uma postura inegociável de poder que desafia o machismo estrutural predominante no circuito do trap nacional.
A maturação artística da “Turma da Duq”
Ao longo de 13 faixas cuidadosamente arquitetadas, Duquesa navega com naturalidade entre diferentes frequências da música urbana contemporânea. Desde a faixa de abertura “ELA (intro)”, cujo videoclipe dirigido pela própria artista em parceria com Tize Salati dita a atmosfera cinematográfica do projeto, a baiana demonstra total domínio de sua narrativa.
Faixas como “Turma da Duq” e “Primeiro de Maio (Gostosas Inteligentes)” celebram a cumplicidade entre mulheres periféricas que conquistaram autonomia financeira e intelectual pelo próprio trabalho. As rimas desfilam punchlines precisas, aliando ostentação de luxo legítima ao orgulho de quem veio do interior da Bahia e construiu seu império sem intermediários.
O equilíbrio visceral entre o trap cortante e a suavidade do R&B
A sonoridade de Taurus, Vol. 2 se destaca pelo requinte harmônico. Sob a batuta de produtores de ponta como Go Dassisti, o projeto mescla graves ruidosos típicos do trap de Atlanta e do drill britânico com acordes aveludados de soul e neo-soul, abrindo espaço para a potente extensão vocal de Duquesa brilhar tanto no canto quanto nas rimas aceleradas.
O elenco de participações do álbum confirma o respeito que a artista conquistou entre seus pares. Em “Banco do Carona”, Duquesa divide os microfones em uma marcante colaboração com o conterrâneo Baco Exu do Blues em um diálogo envolvente sobre desejo e poder; em “Disk P@#$%&!”, conecta-se à acidez rítmica de Tasha & Tracie; enquanto em “Purple Rain”, explora texturas psicodélicas ao lado de Yunk Vino. O disco traz ainda colaborações luminosas com Jovem Dex (“Milionário e José Rico”), Urias e Zaila (“Pose”).
Da Bahia para o mundo: o impacto da indicação ao BET Awards
A aclamação crítica do disco reverbera diretamente nas premiações internacionais. Ao ser indicada ao BET Awards 2024, premiação norte-americana voltada à celebração da cultura afro-diaspórica mundial, Duquesa se consolida como uma das vozes mais influentes de sua geração, colocando a cena de Feira de Santana e o rap feito no Nordeste no epicentro das atenções internacionais.
Taurus, Vol. 2 marca, portanto, não apenas o auge da carreira de Duquesa até o momento, mas um ponto de virada definitivo para a representatividade das mulheres no trap brasileiro.
Ficha Técnica — “Taurus, Vol. 2”
- Álbum: Taurus, Vol. 2 (13 faixas)
- Artista: Duquesa
- Selo / Gravadora: Boogie Naipe
- Produção Musical: Go Dassisti, entre outros produtores convidados
- Participações Especiais: Baco Exu do Blues, Tasha & Tracie, Yunk Vino, Jovem Dex, Urias e Zaila
- Faixas de Destaque: ELA (Intro), Turma da Duq, Banco do Carona, Disk P@#$%&!, Purple Rain
- Reconhecimento: Indicada ao BET Awards 2024 (Viewer’s Choice: Best New International Act)
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