Rapper paulista lança álbum completo com tradução em libras

O artista, rapper, ator e slammer, Isaac de Salú, 25 anos, diretamente de Itapevi, zona oeste de São Paulo, lança pela gravadora 7Cort, seu álbum oficial de estreia “Assembleia de Eu’s”, nesta terça-feira (28/07), com identidade visual de Pegge, mixagem e masterização de Bon Beats. São 13 faixas com tradução em libras, trabalho inédito dentro do gênero musical trabalhado por ele. 

Catarses de cura poética no rap e música para surdos

Catártico, versátil, conceitual, melancólico, indígena e meditativo como uma mantra de emoções no palco das muitas faces do ego humano, entram em estado de transe os personagens de suas letras. Salú passeia por gêneros musicais diversificados como trap, rap, indie e funk. Artistas como Makalister, niLL, Don L e muitos outros são inspiração que lapida com uma identidade própria de forte personalidade. 

Em plena quarentena de 2020, por conta da pandemia da covid-19 que assusta o mundo, este artista independente revelação no cenário atual paulista, exorciza na odisseia musical – angústias existencialistas, ansiedade, lembranças e depressão presentes na sociedade contemporânea. Suas narrativas falam de amor, sexo, fé, superação, cura, autoestima, solidão e trazem também críticas ao cenário político brasileiro. Uma mensagem de esperança e forças da busca por cura em meio aos caos da humanidade.

Isaac é também fundador da 7Cort, o canal trabalha com estilos que alternam entre R&B, Pop Music e Rap. Ele é parte do grupo de poetas e slammers Coletivo Emancipado. Seu nome artístico é uma homenagem ao seu avô materno de Nova Soure no interior baiano, também músico, era conhecido como Pedro de Salú, que homenageia em Violeta, clipe lançado em 2018. Um de seus trabalhos mais famosos é “Flow Valdemiro”, que já conta com mais de 65.830 mil visualizações no Youtube, um trap que critica celebridades religiosas, além de Feixe e O Hypado Mais Flopado do Ano, lançados no mesmo ano.

Atuante desde 2011, o MC em seu novo álbum faz do palco um divã dentro de uma assembleia que se converte também em um templo de meditação, ele afirma na música Sobre Eu’s e Budas Cabeludos: “Se creio no amor Meu Deus está no afeto.”, no clipe da faixa “O peixe se afoga com ar“, revela toda potencialidade performática dramática do seu interior de muitos eu’s e da capacidade criativa em uma mente inquieta, sua face se espalha refletida por espelhos. 

A ideia de lançar uma obra completa acessível para surdos, foi inspirada por um diálogo com o rapper e produtor Wzy, que possui deficiência visual. Salú percebeu como pessoas com diferentes tipos de deficiência são excluídas do mercado e acesso às milhares de produções em plataformas do setor e o descaso da grande maioria dos artistas com um público que possui necessidades especiais.

A sensibilidade artística de seu trabalho faz jus ao respeito com um público amplo, acessibilidade e inclusão são fundamentais para o acesso a música, que apenas é possível quando alguém busca expressar toda multisensorialidade disponível na cena, na língua de sinais cada faixa traduzida, marca o início de uma geração que pode inspirar muitos outros artistas em lembrar que o rap deve ser para todos.

Confira:

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