Duquesa atinge o ápice lírico em “Taurus, Vol. 2” e leva o trap brasileiro aos holofotes do BET Awards

Thomaz Prado
Thomaz Prado
Vivo conectado no hype, nos charts e na sonoridade que domina as ruas e as playlists. Escrevo sobre a ascensão do trap e do drill no...
Divulgação/Boogie Naipe

Com 13 faixas, participações de peso e produção refinada pela Boogie Naipe, rapper baiana consolida liderança feminina na cena urbana e conquista o mundo.

A ascensão meteórica de Duquesa ganha contornos definitivos de maturidade com a chegada do álbum Taurus, Vol. 2. Lançado pelo histórico selo Boogie Naipe — comandado por Mano Brown e Eliane Dias —, o disco não apenas eleva a barra estética do trap e do R&B nacional, como catapulta o nome da MC de Feira de Santana (BA) ao cenário global com uma expressiva indicação ao BET Awards 2024, na cobiçada categoria Viewer’s Choice: Best New International Act.

Sucessor do aclamado EP Taurus (2023), o segundo volume expande a identidade construída pela artista ao longo dos últimos anos: versatilidade melódica, lirismo confiante, celebração da independência feminina e uma postura inegociável de poder que desafia o machismo estrutural predominante no circuito do trap nacional.

A maturação artística da “Turma da Duq”

Ao longo de 13 faixas cuidadosamente arquitetadas, Duquesa navega com naturalidade entre diferentes frequências da música urbana contemporânea. Desde a faixa de abertura “ELA (intro)”, cujo videoclipe dirigido pela própria artista em parceria com Tize Salati dita a atmosfera cinematográfica do projeto, a baiana demonstra total domínio de sua narrativa.

Faixas como “Turma da Duq” e “Primeiro de Maio (Gostosas Inteligentes)” celebram a cumplicidade entre mulheres periféricas que conquistaram autonomia financeira e intelectual pelo próprio trabalho. As rimas desfilam punchlines precisas, aliando ostentação de luxo legítima ao orgulho de quem veio do interior da Bahia e construiu seu império sem intermediários.

O equilíbrio visceral entre o trap cortante e a suavidade do R&B

A sonoridade de Taurus, Vol. 2 se destaca pelo requinte harmônico. Sob a batuta de produtores de ponta como Go Dassisti, o projeto mescla graves ruidosos típicos do trap de Atlanta e do drill britânico com acordes aveludados de soul e neo-soul, abrindo espaço para a potente extensão vocal de Duquesa brilhar tanto no canto quanto nas rimas aceleradas.

O elenco de participações do álbum confirma o respeito que a artista conquistou entre seus pares. Em “Banco do Carona”, Duquesa divide os microfones em uma marcante colaboração com o conterrâneo Baco Exu do Blues em um diálogo envolvente sobre desejo e poder; em “Disk P@#$%&!”, conecta-se à acidez rítmica de Tasha & Tracie; enquanto em “Purple Rain”, explora texturas psicodélicas ao lado de Yunk Vino. O disco traz ainda colaborações luminosas com Jovem Dex (“Milionário e José Rico”), Urias e Zaila (“Pose”).

Da Bahia para o mundo: o impacto da indicação ao BET Awards

A aclamação crítica do disco reverbera diretamente nas premiações internacionais. Ao ser indicada ao BET Awards 2024, premiação norte-americana voltada à celebração da cultura afro-diaspórica mundial, Duquesa se consolida como uma das vozes mais influentes de sua geração, colocando a cena de Feira de Santana e o rap feito no Nordeste no epicentro das atenções internacionais.

Taurus, Vol. 2 marca, portanto, não apenas o auge da carreira de Duquesa até o momento, mas um ponto de virada definitivo para a representatividade das mulheres no trap brasileiro.

Duquesa - ELA (Intro) (Clipe Oficial)
Duquesa – “ELA (Intro)” (Videoclipe Oficial)

Ficha Técnica — “Taurus, Vol. 2”

  • Álbum: Taurus, Vol. 2 (13 faixas)
  • Artista: Duquesa
  • Selo / Gravadora: Boogie Naipe
  • Produção Musical: Go Dassisti, entre outros produtores convidados
  • Participações Especiais: Baco Exu do Blues, Tasha & Tracie, Yunk Vino, Jovem Dex, Urias e Zaila
  • Faixas de Destaque: ELA (Intro), Turma da Duq, Banco do Carona, Disk P@#$%&!, Purple Rain
  • Reconhecimento: Indicada ao BET Awards 2024 (Viewer’s Choice: Best New International Act)
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Vivo conectado no hype, nos charts e na sonoridade que domina as ruas e as playlists. Escrevo sobre a ascensão do trap e do drill no Brasil e no mundo, trazendo análises de lançamentos, feats pesados, lifestyle e o movimento estético da nova geração.