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Trevo esbanja originalidade em seu álbum de estreia: escute ‘Nada de Novo Sob o Sol’

Não é de hoje que o RAP-BA tem conquistado espaço dentro da cena nacional com seu jeito próprio de se expressar. Eu sei que o RND é um site nacional, mas permitam-me ser um pouco bairrista: só quem vive o cotidiano de Salcity consegue ter uma noção do grau de originalidade que exala da Terra Sagrada.

Logicamente, esse caráter peculiar é refletido em milhões de manifestações artísticas que brotam pela cidade (um salve ao inigualável pagode soteropolitano) e é em uma dessas manifestações legitimamente originais de Salvador que nasce o primeiro álbum do rapper Trevo, batizado de “Nada de Novo Sob o Sol”.

Em uma era onde formatos enlatados são cada vez mais reproduzidos e conteúdos “mais do mesmo” se multiplicam, Trevo representa em seu álbum de estreia toda uma chama de renovação que vem acontecendo dentro do RAP-BA, trazendo um trabalho maduro e abastecido com boas camadas de originalidade.

Entre os temas abordados em NDNSS, podemos notar assuntos introspectivos do ainda jovem Trevo, que tem que lidar com as nuances da relação entre seu lado artístico e o seu lado pessoal. Ligado a isso está a sua história, a transição e os dilemas de um menino negro e periférico para um homem. E é assim que Trevo se faz entender muito bem durante todo o álbum, como um homem negro maduro, que une militância e vivência de uma forma questionadora e ao mesmo tempo sensitiva.

Integrante da Underismo – grupo que também fez um dos melhores trampos do ano, escutem esse EP – é possível perceber que Trevo deu o seu primeiro grande passo em carreira solo de forma bastante consistente e planejada. Condensado em nove faixas, o álbum contou com a produção musical de Felipe Mimoso e visual de Mayara Ferrão, tudo sob a chancela da GANA (selo musical/estúdio criativo que fecha com o rapper).

Nada de Novo Sob o Sol traz uma grande diversidade musical, que combina muito bem com a estética do álbum. Transitando entre trap, r&b, boombap, música afrobrasileira\baiana, uma mescla entre instrumentos orgânicos e virtuais, samples e arranjos de sax, guitarra e percussão. As participações ficam por conta da compositora e poetisas Mara Mukami, os rappers Ares, Alfa e Senpai (Underismo), o Compositor\Saxofonista, Paulo Pitta (arranjos de sax e sintetizadores analógicos) e também do Coletivo Frôceta.

Todas as letras do NDNSS estão aqui e o álbum você deve ouvir abaixo.