RND Freeverse | 16 Beats rima em um beat de DJ Khaled e aborda a violência cotidiana de sua comunidade

Nessa 22ª edição do RND Freeverse o convidado é Anderson 16 Beats MC, que decidiu relatar um pouco da opressão sofrida por ele na comunidade de Pernambués, na favela do Barro. 16 escolheu o beat de “Nas Album Done” (Dj Khaled feat Nas), produzido por Dj Khaled, Cool & Dre & 808-Ray. A gravação, mixagem e masterização foram feitas por Christian Dactes (NaCaladaRec), a filmagem por Marcelo Ferreira (Primitive XXI Records), edição e pós produção por Gabriel Salvi (Hypnos Produtora), já os atores convidados são Juca Jafras e Tininho.

Ainda na infância, descobriu a habilidade com a rima em um concurso de poesia que participou na quinta série. “A professora passou uma atividade na classe que todos tinham que desenvolver e apresentar. Rapidamente resolvi e fiquei surpreso com a minha facilidade de rimar e descrever o que sinto em um caderno. Porém, como todo jovem preto daqui, acabei trilhando por caminhos errados”, confessa.

Anderson cresceu envolto a criminalidade, apesar disso, frequentava “Batalhas de Rimas” como forma de distração e também, para se fortalecer, pois sabia que precisava sair do meio que vivia. Segundo ele, teve várias recaídas e se sentia mal por não praticar a mensagem que passava.

“Tinha que decidir o que fazer, era as únicas duas coisas que sabia fazer. Não podia fazer as duas, não podia pegar o microfone, passar uma mensagem para meus irmãos e sendo ladrão. A meu ver, isso era errado. Fui salvo pelo Freestyle e se não fosse ele, talvez vocês não tivessem me conhecido. Eu via guerra, morte, opressão policial e mesmo assim escrevia tudo, sonhava em ser MC um dia, mesmo achando impossível”.

Apesar da falta de crença, o sonho dele virou realidade, conheceu alguns MC’s e foi parar no estúdio do “Coletivo NaCalada”, onde teve a oportunidade de gravar suas músicas. Depois de um período, foi convidado a fazer parte do Coletivo e também auxilia na Escola de Formação Pan-africanista Winnie Mandela, localizada no Engenho Velho de Brotas, em Salvador, que possui aula de capoeira, hip hop e que faz o resgate da verdadeira história do povo africano.

“O RAP é uma das matérias lecionadas nessa escola. As crianças adoram, pois trabalhamos com dinâmicas para incentivar a leitura, a escrita e também a liberdade de expressão e expressão corporal. É emocionante ver os meninos fazendo desde cedo fazendo Freestyle, escrevendo pequenas rimas, é a semente do RAP plantada no coração dessas crianças”, afirmou.

16 Beats, que já possui um EP chamado “É Pra Lá Que Vai”, lançada em 2016, está preparando outro, “Colônia”, que terá oito faixas e contará com beats de Dactes e do Dj Sly Leão (D.D.H.). Segundo ele, o EP vai relatar o quanto vivemos em uma colônia de hipocrisia e sangue. “Vivemos em um antigo regime de segregação, genocídio e destruição cultural do povo preto. Muitos sabem disso, porém finge não ver. É evidente a destruição, é evidente que somos massacrados em meio a esse caos. Não existiu abolição, escravizados ainda somos”.