A melhor resposta para ‘Sulicídio’ veio de uma mina do próprio Nordeste: ouça ‘DISSrespeito a mulher’ de Lady Laay

A resposta chegou como uma rajada, expondo situações fortes e experiências vividas por mulheres que fazem parte diretamente do movimento hip-hop, principalmente do Nordeste. Nesta última terça-feira, o videoclipe e música “DISSrespeito a mulher” da rapper pernambucana Lady Laay saiu, e veio como um verdadeiro desabafo e um grito de basta à forma como as mulheres são vistas e tratadas na vida e principalmente na cena do Rap.

“O que me motivou a fazer o som foi a gota d’agua que rolou num evento há 2 meses… Há bastante tempo eu e outras minas estamos reclamando da falta de espaço, desrespeito e etc, e nada muda… E nos causa muita indignação vê-los esbravejando que trouxeram visibilidade pro nordeste, quando na verdade essa visibilidade foi só para os caras, as mulheres continuam invisibilizadas: e por eles próprios”, conta Laay.

Na música, a rapper traz um questionamento sobre o boicote de mulheres em eventos e produções, “por falta de qualidade em suas músicas”. Além de trazer relatos de violência, objetificação do corpo feminino nas músicas e principalmente da falta de apoio à visibilidade das minas que produzem Rap.

Mandando o papo, segundo a pernambucana, não houve ataques aleatórios e por motivos fúteis como foram as outras diss, a mesma afirma que o som é uma resposta à atitudes e falas aos MCs de Pernambuco e do Brasil que permanecem com discursos e ações machistas, misóginas e homofóbicas que ignoram o trabalho feminino no rap.

Além da música, Laay respondeu aos rappers, produtores, organizadores e colaboradores em sites de Rap que as minas produzem com qualidade sim e finaliza: “Pra provar que a mulher não tem medo e insegurança como eles disseram, me empenhei muito, tirei grana de onde eu não tinha pra poder fazer um trampo foda em termo de qualidade (qualidade de som, de audiovisual e etc) já que eles falaram que a mulher não tem qualidade.”

Trecho da música
Como é que você nunca ouviu falar
Das netas das bruxas lendárias,
que não conseguiram queimar na fornalha.
Só as mina afoita e desaforada,
que bate de frente, insolente,
sem pano pra nada.
Subestimadas, mas obstinadas,
sem paciência pra macho piada!
Quando ele vê que o som é de mina, nem sequer play dá