Ouça ‘Dendê’, o primeiro disco solo de Janine Mathias

A cantora Janine Mathias, nascida no Distrito Federal e radicada em Curitiba há mais de 10 anos, apresenta seu primeiro disco solo, “Dendê”, que surge como o retrato da música popular brasileira contemporânea.

Com o Rap em seu histórico, para expressar seu lugar de fala como mulher negra e de periferia, Janine aparece com Dendê para contar sua vivência intensa com a ancestralidade e os ritmos advindos do samba, hip-hop e da música negra em geral.

Recentemente, a cantora apresentou-se ao lado de Criolo, no Sesi Maringá, onde cantaram 8 músicas de seus repertórios.

Junto de Tássia Reis, Rincon Sapiência e diversos outros artistas que guiaram sua música, em “Dendê”, Janine Mathias interpreta canções de Martinho da Vila, Leandro Lehart e Val Andrade, além de composições próprias.

“Esse trabalho é fruto da minha trajetória. Musicalmente é o que em mim tudo tempera. É o óleo que azeita, fortifica, unta, apazigua e ganha outras formas, usos e significados”, ressalta a cantora.

Produzido por Eduardo Brechó, do Aláfia, em parceria com Renato Parmi, o álbum tem o peso do Rap e a leveza melódica do samba, incorporando, entre a roupagem clássica dos arranjos, elementos eletrônicos.

Já na abertura, “Pérola Negra”, de Val Andrade, Janine canta a autoestima da mulher negra e representa a questão mais poderosa da ancestralidade. “O objetivo é transformar, para melhor, a vida de quem ouve, nós mulheres negras aprendemos muito depois o valor de nossa existência”.

Em seguida, a faixa-título, “Dendê”, tem participação de Rincon Sapiência, que também assina a letra em parceria com Eduardo Brechó e a própria artista. “Essa coisa de colocar a música em um pedestal, onde o que é popular não entra, sempre me incomodou. Eu sou uma mulher negra, minha música pulsa o “pancadão” e me importo com o que nasce nas raízes da favela. Pensando em tudo isso, esse single surgiu no estúdio, já no último dia de gravação. Eu estava brincando que, quando tivesse 50 anos, faria um funk. E não é que fiz bem antes disso?”, brinca.

Nos quase quatro minutos de “Tanto Faz”, Janine aquece o coração e comemora a alegria de ser a primeira a gravar uma música composta por Tássia Reis. “Na Consolação”, feita em parceria com Lucas Trigueiro, surgiu há cinco anos. “Desejei muitas coisas para essa track que tem rap e samba na veia. O final “sambei na avenida / cantei toda essa trilha / na consolação vivo e não sofro” cômpus para Elza Soares”, comenta.

Em “Já foi”, a artista presta um tributo ao Tempo, o grande senhor e rei. Para acordar o mundo lá fora, “Bom Dia” avisa que “cultivar o amor, aliviar a dor / a incerteza não cabe”. Ela é uma das produções que fui surpreendida pelo Eduardo e o Parmi. O samba romântico “Rumores”, de autoria da cantora e Eduardo Brechó, fala sobre desilusões e todas as coisas que somente a paixão pode fazer. “Sem avisar, nos sacode, nos faz viajar e enfrentar limites. Acho que amar é viver desejando o melhor sabor de um encontro.”

Logo após, “Maracatu do Meu Avô”, de Ney Lopes e Leonardo Bruno, é uma homenagem que envolve muita conexão é para a intérprete uma imensidão de bons sentimentos em homenagem ao seu avô. Com os versos que não pedem licença para continuar, a ousada “Deixa Eu Ir á Luta”, do Leandro Lehart, encerra o disco. “Sambamos muito. Agora, vamos bater cabelo na boate com essa Art Popular. Quem é da minha idade sabe, exatamente, o que essa música representa. Eu dedico para minha tia Jô”, finaliza.

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