Os melhores versos em participações de Mano Brown

Há muitos anos que Mano Brown é referência, não só para o Rap, mas para a música brasileira. Suas influências musicais, seu jeito de rimar, levada única e ideias que já fizeram as pessoas exclamarem: “Como é que nunca pensei nisso antes?! De onde ele tirou isso?!”, construíram a lenda Mano Brown.

É raro vermos Brown participando de sons de outros artistas, muito raro. Mas quando ele aparece, é sinônimo de um verso clássico. Vamos relembrar alguns agora.

Com Negritude Junior em “Gente da Gente”

Em 1995, dois anos antes do clássico “Sobrevivendo no Inferno” ser lançado, acredito que a primeira colaboração que Racionais MC’s fez na carreira. Mano Brown rimou no samba “Gente da Gente” do grupo Negritude Junior, grupo de seu amigo de infância, Netinho de Paula.

3,2,1,0 contagem regressiva
O pesadelo no ar, Racionais, voz ativa
Não bebo do veneno que o sistema me traz
O controle remoto não me domina mais

Com Almir Guineto em “Mãos”

O consagrado sambista Almir Guineto, que faleceu este ano, compositor da música “Mãos” – que foi lançada em 1993 na voz de Zeca Pagodinho – a regravou no seu disco “Todos os Pagodes” de 2001 com participação de Mano Brown.

Mãos nordestinas me ensinou:
Que mãos para trás, neguinho, não senhor
As mãos de Tyson, ódio, nocaute
As mãos do mal também usam esmalte
Mãos que apontam, mãos que delatam
Toda mão tem, mãos trêmulas matam
‘Mãos na cabeça!’ o mão branca armou
Algemas prende a mão de um sonhador

Com Helião & Negra Li em “Periferia”

Quando o RZO anunciou uma parada nos trabalhos em 2004, nós não sabíamos se o grupo tinha acabado de fato ou se estavam dando um tempo para os projetos paralelos. No ano seguinte, 2005, tivemos a resposta com o álbum “Guerreiro, Guerreira” de Helião & negra Li. disco que Mano Brown rima na faixa 3, “Periferia“.

Nos braços da ZO onde dorme o sol
Incluso no rol, na fé, vou passando o cerol
Maluco só, Helião, Negra Li é o clã
As pistas amanhã eu pan coube mais um na van
Somou os preto, os louco, os fi de baiano
Devotos do rap, do alvinegro praiano
Helião cruz na caminhada, monstro na pegada, sorte
Vai na fé e descola o malote

Com Dexter em “Eu Sô Função”

Também em 2005, Brown fez o verso que é o preferido de muitas pessoas, não só dos versos de música que ele participou, mas de toda a carreira dele. Em “Eu Sô Função“, Mano Brown além  produzir a batida, compôs uma rima épica para o rap nacional.

…Folha seca num vendaval, um inútil
É morrer aos pouco eu me senti assim, tio
Eis que um belo dia alguém mostrou pra mim
Uma reunião tribal, James Brown e All Green
Uau ‘Sex Machine’, o orgulho brotou
Poder para o povo preto, que estale os tambor
Veio as camisas de ciclistas, calça Lee, fivelão
Tênis Fire Eitheeng, uou uou uou ladrão
Às seis mil ano até pra plantar
Os pretos dança todo mundo igual sem errar
Agradecendo aos céus pelas chuvas que cai
Santo Deus me fez funk, obrigado meu pai!

Com Jorge Ben Jor em “Umbabarauma”

Em 2010, quando Jorge Ben resolveu regravar o clássico “Umbabarauma“, teve a ajuda dos produtores Daniel Ganjaman e Zegon. E para enriquecer ainda mais a nova versão do Ponta de Lança Africano, Mano Brown chegou rimando. O vídeo clipe oficial mostra Brown no estúdio vendo imagens de jogadas de futebol e escrevendo umas rimas, enquanto os outros gravam a música. A parte de Mano Brown resume bem o espírito de final de campeonato e estádio cheio. Chega a narrar um lance rimando.

São Paulo tá vazio 100 mil Morumbi
Olímpico adversário acorde vai se Tri
Atenção Brasil, atenção, que a bola vem quase sem pretensão
Aos 27 o silêncio que antecede a explosão
Criolo rei tem a sorte, vida e morte no clássico sim
Momento mágico pra mim, sofredor
Passo curto pelo meio, vem pela intermediaria que alcança
o meio esquerdo vai a linha de fundo a bola,
bate rasteira cruza a pequena área aos pés
pro nosso herói o sentido de tudo!

Com Rashid em “Ruaterapia”

A última aparição de Brown em música de outros artistas, foi em “Ruaterapia“. Do álbum “A Coragem da Luz“, de Rashid, Mano Brown e Max de Castro te fazem dar um rolê na rua sem sair do lugar.

É quando canções me alcançam como flechas
Ai eu saio num flash e que os bares não fecham
Vou cego pelos flash’s da fama, eu mato, eu morro
Corro demais, sigo conforme
Eu digo, inimigos dormem
Mas surdo, incapaz de ver, eles de Tampax
Fios desencapados andam por aí lado a lado
Mas eu tenho um velho hábito gangster, o álibi antes, contatos