Musicalidade e peso nas ideias no lançamento do NP Vocal, ‘Veja Bem’

Ontem, dia 9, o selo Diresponsa chegou com mais um lançamento daqueles de peso. Colocando a Zona Leste de São Paulo no mapa e muito sentimento no projeto, já que “a vida é curta e muito loca”, NP Vocal lançou o single acompanhado de clipe Veja Bem. Além das linhas cheias de peso e histórias de vida, o beat inspirador do DJ Fire e mais uma produção visual foda do Igor Selingarde fizeram o universo se postar exatamente como deveria pra que a mensagem chegasse sem fazer curva.

Até porque não é por acaso que o NP ta nesse corre e também não seria a toa. Logo de cara achei foda a abordagem consciente sobre a questão das drogas, que aparece já logo no começo do som, ainda mais quando a gente que acompanha o rap de perto vê na postura e na composição dos mc’s uma falta de responsabilidade quando a droga é tratada com glamour num cenário onde uma pá de menor tá se arrastando por isso. E aí foi nisso que eu me apeguei, sempre gosto de ouvir dos mc’s de onde vem essa consciência além do que a gente pode enxergar.

É muito bom abordar dessa forma.Tem um som meu que eu falo ‘meu maior mal te cantei’, e é essa fita. Eu vi meus heróis morreram cedo no ritmo de droga, bagunça, crime. Não que eu seja hipócrita em falar que eu não uso drogas, que não é gostoso, mas o lado gostoso do mundo sabe que o lado amargo desses prazeres é foda. E não é todo mundo que canta, nem que quer ouvir, mas eu sei a importância da mensagem, salva porque eu fui salvo. Não tenho a intenção de salvar o mundo, ganhar o prêmio da paz. Só quero poder alcançar os menor que nem o Sabotage, o RZO, o Facção, o Racionais me alcançaram. Se não fosse o rap o crime teria hoje mais um integrante com certeza”, conta NP.

Pra entender de uma forma mais justa a música, antes de perguntar de técnica, preocupei me inteirar de histórias de vida pra só assim conseguir dimensionar o significado da composição. Com 29 anos e mc desde os 12, muita água já passou por baixo dessa ponte. No começo da sua trajetória foi envolvido com o rap gospel, Apocalipse Urbano. Com o tempo, cada participante do projeto acabou se envolvendo com seus próprios corres. Aos 18 acabou sendo preso e nos 3 anos que cumpriu pena acabou descobrindo um talento pessoal pra melodia.

Saiu da cadeia cheio de letras e intenções e aí as paradas começaram a ter um novo curso: “Quando saí continuei naquela vida porque eu já tinha me acostumado ao crime. Até que um dia trombei o Dj Fire na casa de um brother ouvindo um som uns beat e eu pedi pra mostrar um som. Quando eu mostrei ele chorou e falou ‘mano sai dessa vida que você tem o dom do som, vem comigo posso te mostrar outros caminhos. Foi aí que resolvi voltar pro rap, em 2010, graças ao Dj Fire e ao Vinão Alo Brasil. E hoje o Fire me conduziu até o PrimeiraMente que me abrem muitas portas. Sou grato à essas pessoas.

Esse talento pra melodia descoberto nesses anos difíceis é um dos pontos que se tornou um diferencial no NP, e nessa música não foi diferente. Todo o peso das ideias vem de certa forma com uma sutileza permitida por uma musicalidade boa demais pros ouvidos. “O canto, a melodia, isso prende a atenção das pessoas. Ai eu falei, ‘pô, vou pegar pesado nas ideias mas preciso por um pouco de sensibilidade nessa fita’. Como eu tenho uma facilidade com o canto bolei o refrão cantado e uma parte cantadinha também. O rap ta meio carente de melodias e pá e essa é a minha característica.

E daqui pra frente essa característica vai estar bem presente. Ainda nesse ano sai o disco solo do NP bem nessa pegada jazz, blues, R&B. E antes do disco solo tem o CD do PrimeiraMente onde ele participa de 6 faixas. Além do trampo com o Vinão Alo Brasil, com o Radha e com os manos do B.M.C.K.M. Por enquanto se liga nesse trampo incrível!