Não se ofenda se a Fenda tomar de assalto!

É com os versos de Iza Sabino que intitulo este artigo para falar sobre o supergrupo belorizontino Fenda. Paige, Laura Sette, Iza Sabino, Mayi e Dj Kingdon se juntaram para uma apresentação de abertura do show do rapper Criolo em BH no fim do ano passado, como mostra a matéria da culturadoria.

A Macacolab, que faz a direção executiva do grupo, foi o principal responsável por isso. O que foi um começo que parece um pouco inusitado está dando ótimos frutos. A fenda já lançou duas super produções audiovisuais nas batidas de nada mais nada menos que Coyote Beatz.

Mas antes de falar sobre os clipes, não da pra não mencionar dois grupos que também tomaram a cena pra si nos últimos anos. O primeiro é o coletivo Rimas e Melodias, formado por Alt Niss, Drik Barbosa, Tássia Reis, Karol de Souza, Tatiana Bispo, Mayra Maldjian e Stefanie. O segundo é o também belorizontino DV Tribo, integrado por Clara Lima, FBC, Djonga, Hot, Oreia e o já citado Coyote.

Todos já tinham uma caminhada anterior na música de alguma forma, mas a união fez a força. Os dois grupos impactaram a cena em que estavam imersos, além de potencializar os integrantes coletiva e individualmente.

Os projetos paralelos e solos foram amplificados. Quase todas as cantoras e mc’s do Rimas e Melodias já lançaram seus trabalhos solos na pista. O DV Tribo nos trouxe os mc’s mais inovadores dos últimos anos, virando a cena de cabeça pra baixo.

A Fenda se mostra ser uma mistura da representatividade e da musicalidade do Rimas e Melodias com a relevância da DV Tribo. É a mescla do discurso de autoafirmação com a forma de fazer rap de Minas Gerais. Além disso, esse discurso é parte inerente da carreira que cada integrante até chegar a formação da Fenda.

O grupo tem suas raízes nos elementos do hip hop. Tanto nos videoclipes quanto nas redes sociais Mayi mostra suas habilidades na dança também. Laura Sette lançou há aproximadamente dois meses o EP C.A.C, além de ter uma produção audiovisual foda da faixa dupla chamada Diferenciada.

Paige, que carrega influências do RnB e do funk, tem o EP Baby Girl lançado em agosto do ano passado. O trabalho mais recente é o som Uma Dica, lyric video que aborda a questão do Corona vírus e seu impacto na vida da classe trabalhadora. O clipe da faixa Brasil, que tem um toque soul e disco, também merece destaque, apresentando o quão Paige é talentosa e versátil.

Iza Sabino já traz a vertente mais rapeira do grupo, com flows mais rápidos e as famosas punchlines. Ela faz parte do projeto Best Duo com o padrin FBC, Booyah lançado no Rap Box foi o primeiro som colocado na pista.

Já a Dj Kingdom cita na matéria da culturadoria que passeia pelo Hip Hop, Dance Hall, RnB, entre outros estilos oriundos da cultura negra. Em suma, a Fenda é o encontro de várias vertentes, de artistas talentosas que merecem mais reconhecimento dentro da cena.

Depois de conhecer cada integrante, a ideia é mostrar como todas essas características se juntam dentro dos dois clipassos lançados pela Fenda.

O primeiro videoclipe é ‘Não Se Ofenda‘:

Dirigido e roteirizado por Celina Barbi, produzido por Coyote Beatz, o áudio visual traz todos os 4 elementos do Hip Hop. A gente vê as mcs, a dança, a Dj tocando no final e também o pixo/ grafite. Podemos até perceber a frase Girl Power pixada em uma das paredes. O que leva a identidade visual também de autoafirmação como mulheres. O som de estreia é pra mostrar que elas chegaram pra ficar, que quem quiser peitar vai ter que ter peito.

O segundo videoclipe é da classuda Girl Gang:

Também dirigido e roteirizado por Celina Barbi, com produção também do Coyote Beatz, o clipe tem uma estética diferente do primeiro, mas que carrega um objetivo comum. Durante o clipe várias mulheres sendo mostradas em preto e branco, novas, velhas, trabalhadoras, mães, artistas, especiais, que transmite a mensagem que a Fenda quer passar. O discurso a todo momento é ilustrado nas expressões, na atitude, nas rimas, nas imagens.

Os dois vídeos tem uma coisa parecida. Eles terminam com algumas imagens emblemáticas. No primeiro é com uma menina lendo um livro, que primeiramente estava na mão de Laura Sette e na hora de rima ela passa pra Mayi. No final o livro está com essa menina. No segundo a Fenda vai se abraçando e se acolhendo lentamente. É uma ideia de coletividade e união das mulheres em torno de objetivos comuns, dentro e fora da música.

A Fenda tem tudo pra ser o próximo grande destaque do Rap Nacional vindo de BH e de Minas Gerais, que sem falsa modéstia é área que tem produzido os artistas mais originais e inovadores da nova geração do rap brasileiro.