Do punk ao Rap, Morris Diova lança EP ‘D.R.O.G.A.S.’ e diz: “o Rap me fez sentir orgulho de ser preto”

Do metal ao punk, do psy trance ao rap, Mauricio Carvalho ou Morris Diova, 27 anos, nascido e criado em Salvador, tem o gosto bem eclético. Morris, que ganhou esse apelido graças a uma zoeira na época da escola, escreve poesias desde 2005, começou a rimar em 2008, e ainda participou de algumas batalhas, a exemplo da “Briga de Vira Lata”, mas só no final de 2016 lançou seu primeiro EP: “Desabafo Rimado Originado Gruvando As Substâncias (D.R.O.G.A.S.)” no soundcloud e essa semana upou para o youtube, após pedidos dos fãs.

O EP conta com a participação de Mobbzila (D.D.H.), Davi Nadier (Beirando Teto), Quinta Esquina (Val, Erick, Rocky MC e Wagner) e TO$H, com produção de Christian Dactes (que também rimou em Orramor) e Gabriel Beatmaker, seu irmão.

Aos 13 anos teve seu primeiro contato com o rap, quando conheceu a track Um Bom Lugar, de Sabotage. “Me identifiquei com o clipe logo na primeira vez que vi. O rap me empoderou, me fez sentir orgulho de ser preto, das nossas gírias e dialetos, me fez conhecer um outro lado da poesia’. Passou a ouvir também Black Alien, Speedfreaks e por fim, Racionais Mc’s, que conheceu graças a um colega de turma. “Ouvi o DVD por um mês seguido, era tipo um mantra”. Mas também é fã de Blind Guardian, Jazz, Blues, Punk Rock e até mesmo Daft Punk. “Acredito que o som é ar, energia do vento, o vento é solto, livre, tem leveza e ao mesmo tempo é implacável e arredio”.

Letras

Em suas letras, traz muito da sua vivência e costuma seguir um estilo de escrita bem livre. “Minhas letras são elucubrações da minha mente insana […] depende muito da minha vibração no momento. Eu não escrevo uma letra, eu converso com os meus ouvintes. Tanto é que eles se sentem de boa de para chegar no meu inbox, falar sobre a faixa, o que entenderam e as possíveis respostas das questões que trago. Conto historias, conto lamentos, conto verdades disfarçadas de mentira só para você não acreditar. Meu som é denso […] meu som não é uma letra de rap, é uma poesia rude, bruta, suja, sem pudor, sem limite, sem rédeas, arredia, solta e livre”, afirmou.

Cena em Salvador

Sobre a cena em Salvador, o rapper acha que anda bem mexida: do ego as tretas, do respeito ao ódio, dos posers aos reais e da verdade a missão, deu a real. “A cena anda igual aos seres humanos e suas inquietações cotidianas. Após a faixa “Sulicidio”, o bang que já era meio dividido nas “encolha” começou a ficar explicito, dando espaço para novas panelas. Nada contra panelas, mas se você parar pra viajar, você junta todas e faz um banquete da hora, todo mundo come e fica satisfeito”.

Planos para o futuro

“Fazer um trampo audiovisual instigante,  conceitual e atraente, geral vai poder sacar”. A ideia de Morris é lançar aos poucos videoclipes de algumas músicas do EP “D.R.O.G.A.S.”, bem trabalhados no quesito audiovisual, onde possa instigar os ouvintes a entender também a mensagem visual que ele pretende passar.

Morris Recomenda

Parenética, Mirapotira, Cintia Savoli, Quinta Esquina, Mobbzilla, To$h, Dimak, Big, Saca Só, Beirando Teto, Insurreição Rap, Clube do Ragga, IN.Vés, FumaSound, AvicenaBiggie N, além de fazer ressalva a um dos tantos grupos das antigas. “São muitos MCS locais aqui de Salvador que me inspiram, é muita gente para citar nome, mas tanto a velha guarda, quanto a nova escola do RapBA tem muita coisa boa. Um grupo das antigas e mais underground clássico que acredito que deveria fazer um bang novamente, é o Afrogueto. Pesquisem sobre“, finalizou.