Lívia Cruz fala sobre Sulicídio e alfineta a resposta: “Precisa pensar um pouco antes de sair tomando uma atitude”

No final do mês de agosto, o lançamento de “Sulicídio“, uma parceria entre Baco (o Exu do Blues) e Diomedes Chinaski deu o que falar e, certamente, entrou para a história do rap nacional. E depois da resposta do Costa Gold ao som com “SulTaVivo“, eis que Lívia Cruz resolveu se manifestar e falar sobre o som do Nordeste.

Em um vídeo para lá de descontraído postado em seu canal nesta segunda (3), a recifense, que se divertiu ao se auto intitular como “professora de diss”, elogiou os criadores e defendeu o som.

— Eu acho muito louco isso! Essa é a ideia da diss: provocar o debate e movimentar a cena no sentido de que uma ideia foi contestada, e alguém vai defender um lado e vai ficar esse jogo aí. Vejo isso como música, as pessoas estão fazendo música; acho muito zoado quem leva para o lado pessoal e se incomoda no ponto de se magoar, odiar as pessoas envolvidas, os artistas que estão fazendo essa música. Acho que a gente já assistiu isso acontecer e não teve um resultado legal, ficaram fãs contra fãs, cada um escolhe sua cor, treta de gangue, aí pessoas morrem e a ideia do rap, do hip hop é exatamente o oposto disso, a gente está aí para salvar as vidas e que essa arte seja um caminho de libertação para esse sistema que coloca a gente nessa situação de números; a gente quer ser gente, a gente quer ter nossa identidade e é isso que o rap e o hip hop tem feito e faz, pelo menos as pessoas que tem compromisso com isso, eu gostaria que tivesse mais gente assim.

Recifense de alma, corpo, coração e registro, Lívia não poderia deixar de falar sobre todo o preconceito que a região sofre, principalmente pela parte Sudeste do Brasil. Pouco depois de ser lançado, o som de Baco e Diomedes recebeu uma enxurrada de declarações e, claro, não faltaram comentários racistas, xenófobos e homofóbicos para ofender a dupla.

— Nesse caso específico, complicado responder, principalmente da forma que foi respondido porque existe um contexto além dos simples ataques a alguns MCs específicos ou a uma região do país porque o Nordeste sofre com xenofobia do restante das regiões do país. O Norte e o Nordeste, né? Tanto que aqui [região Sudeste] tem um negócio de Casa do Norte e, querido, não é Casa do Norte porque não tem coisas do Norte, tem coisas do Nordeste, mas se estabeleceu isso. Tudo que é para cima é Norte. Lições de geografia está faltando, né? Está faltando que eu tô ligada! [risos]. Rola uma tiração com seu sotaque, rola um “qualquer coisa para cima da minha cabeça é Norte” e eu acho que essa contestação é que tem que ser vista com maior importância. Responder a isso é dar um tiro no pé, né amiguinho? Acho que a gente precisa pensar um pouco antes de sair tomando uma atitude atropelada sem pensar no contexto geral da ideia.

Para finalizar, Lívia (que entende muito do assunto) afirmou, mais uma vez, que para fazer uma diss não basta querer, é preciso ter uma boa ideia e, claro, muita criatividade.

— Os caras [Baco e Diomedes] foram muito bem-sucedidos nessa porque, realmente, trouxe o nome deles para o mapa e aí os blogs se interessaram em pesquisar mais nomes, e agora a gente tem uma gama de possibilidades, de pesquisa e vários artistas incríveis que a gente está descobrindo, que estão na nossa playlist porque o Sulicídio mexeu com todo mundo. Se você for fazer uma diss, amigo, faça, mas pense no contexto, seja criativo porque atacar por atacar, ficar com briguinha, raivinha do amiguinho é coisa de quinta série. Vamos evoluir, vamos crescer! Vem com nóis, vem com a tia! Agora virei professora de diss, tá ligado? [risos]