[Opinião] As mudanças de Felipe Ret desde ‘VIVAZ’ até ‘Vivendo Avançado’

Lembro de ter escutado “Neurótico de Guerra” no início de 2013. Foi então que conheci Filipe Ret. Logo após descobri mais uma música, “Libertários Não Morrem“, “Estilo Livre“, “DUTUMOB“, “Jamais Serão“, “Só Precisamos de Nós“.

Levada diferente, um flow, horas agressivo, horas melódico. Combinação que realmente me chamou a atenção. “A Ronda” com Nocivo Shomom era uma das minhas favoritas. Essa parte fazia sentido pra mim: “Rap sem alma é que nem placebo: A gente até engole, mas nundá onda”. Eu considerava-o um MC diferenciado.

Gosto de quando aparece algo novo, diferente. A mistura de peso e melodia me agrada
e foi um dos pontos que me fizeram gostar do som. Ao menos do CD “Vivaz” e as mais antigas do “Numa Margem Distante“.

Confesso que o seu terceiro CD “Revel” não fez minha cabeça. Obviamente não levo meu ponto de vista nem minha opinião sobre rap como a única verdade. Gosto é gosto e cada um tem o seu, mas a partir de “Revel“, não consegui mais viciar nas novas música de Filipe Ret. “Só Pra Você Lembrar“, com letra romântica, uma levada melosa e beat que não empolga, assim como quase todo o CD.

O clipe, com críticas até mesmo dos fãs, parece mais um dessas coisas atuais de Funk. Se não gosto dos Funks atuais? Não, não gosto, mas isso é outra história. Para mim, foi o marco de um novo Ret. Já não imagino mais o lançamento de um som a altura de “Neurótico de Guerra“. Mas a cena e o público do Rap mudaram, eu sei, e sons como este fazem um tremendo sucesso e são chamados de “peso”, pelos fãs.

Confesso também não ter gostado do novo single “Vivendo Avançado“, com produção de Mão Lee e Jhonny Monteiro e participação da nova sensação do Rap “BK” e MC TH. Com certeza essa nova música dividirá opiniões, pois independente se agrada ou não, é diferente, assim como sempre foram os sons do Ret. Sinceramente, fora a parte do BK e até o refrão do TH, o som é fraco.

Já não sou tão fã dos beats inspirados nos traps americanos e em relação a auto-tune, muito menos. Antes que falem em hipocrisia, não gosto de auto-tune sendo gringo ou nacional. O exagero no uso do efeito junto com a levada melódica deixa a parte do Ret incômoda aos ouvidos. Abusar no flow meloso virou marca registrada, o que por vezes torna-se desgastante diante de tantos “uuôôôô”.

A auto afirmação e o ego tornam a letra clichê, assim como a de vários outros MCs por aí. “Minha banca / Meu bonde / Meu estilo de vida /Eu fumo /Eu bebo” se tornaram os temas favoritos de diversos rappers (para alguns, os únicos temas). A ideia de “Viver Avançado” em relação aos outros é cada vez mais presente nas letras do rap nacional.

Resumindo, esse é um som que torna-se enjoativo diante de tantos efeitos de voz e não empolga com a letra e o beat. Porém, Ret tem uma característica que sempre o diferenciou na cena: É original. Agradando ou não, continua mantendo suas particularidades em cada som que faz. Inova e muda aparentemente sem medo de críticas ou retaliações, afinal, não se pode agradar a todos, não é mesmo?

Felipe Ret e Mano Brown

O som de Filipe Ret mudou, é inegável e nessa mudança, acabou trazendo um novo público para o seu lado. Porém, ao mesmo tempo que atraiu um público, excluiu o outro. Assim é o mundo da música, ainda mais quando se arrisca, quando há uma mudança de postura e posicionamento. Uns gostam outros não, mas após ouvir diversas vezes “Vivendo Avançado”, eu digo: Bons tempos de metáforas mais bem elaboradas e profundas eram aqueles de anos atrás.

Definitivamente Filipe Ret mudou, mas ainda acho que seu talento vai além de um hit como esse.