Entrevista com Dario – um dos produtores e beatmakers nacionais que está roubando a cena!

Natural de Ponta Grossa e morador de Curitiba, Dario vem se destacando no cenário musical por seus trabalhos como beatmaker e produtor com grandes artistas, como Rashid, Emicida, Kamau, Rapadura, Síntese, entre outros.

Aposto que você já ouviu falar nesse nome, que é considerado uma referência para os profissionais da área e para o público do Rap. Porém nessa entrevista, Dario vai mostrar o seu lado mais pessoal, que talvez você ainda não conheça. Confira!

Dario, me conte sua trajetória no Rap. Há quanto tempo você se envolveu com a cultura hip-hop? Como se interessou por esse movimento?
Sou fã de rap desde o começo da década de 90, o walkman sempre estava me acompanhando. Porém na referida década eu morava em Ponta Grossa, onde o acesso a informação da música, sobretudo de rap, era bastante escasso.
No entanto a intenção de conhecer novos grupos, lançamentos e mais sobre a cultura hip-hop fizeram com que eu ultrapassasse as questões limitantes de acesso . Então, locava CDs em locadoras, pedia para terceiros me trazerem discos quando tinham a oportunidade de estar em outras localidades e em viajens eu procurava fazer a busca do que havia de material sendo lançado e criado. Em meados dos anos 90 , quando andava de skate, compartilhava com amigos fitas cassetes rechedas de Raps. Na época as revistas também ajudaram bastante pois eram uma grande fonte de informação.
De ouvinte de rap a me interessar a produzir batidas isso se deu em 2000 quando conheci o Programa Fruity Loops, incialmente pouco consegui desenvolver e trabalhar com esse recurso. Conhecer as possibilidades do programa se deram quando vim morar em Curitiba , quando o meu amigo Murf, que era um Mc, mas tinha conhecimentos básicos do programa e assim, dividiu comigo. De ali em diante, fui seguindo e apredendo cada vez mais com vários amigos da cena de Curitiba.

Quais suas maiores referências na música? E com quais artistas você gostaria de trabalhar?
Minhas maiores referencias são: Pete Rock, RZA, Dj Premier, 4th Disciple, Jay Dee (J.Dilla), Dj Honda, Lord Finesse, Erick Sermon, 9th Wonder, Buckwild, Nick Wiz, Shawn J Period, Havoc, M-Phazes. Bom, eu gostaria de produzir: Mano Brown , Marechal , BK , Djonga , Sant.

Sabemos que você é apreciador dos Raps 90’s, mas o que você tem escutado de artistas mais atuais?
Gosto muito do MXXWLL, Amplified, Boon Doc , Joey Badass, Cookin Soul, Lil Supa, Currensy.

Conta pra nós como funciona o seu processo de criação.
Não tenho regras para meu processo de criação , muitas vezes começo a partir de algum sample e por vezes vezes inicio com uma bateria ou Acordes. Gosto de usar loops modificados , flipar o sample (transformar em algo completamente diferente do que era o sample original) , tocar instrumentos virtuais em cima do sample e beats todo tocado sem sample.
O processo de criação depende muito do feeling do momento e a sonoridade que estou buscando transmitir no instrumental.

Como você se sente sendo considerado referência no cenário do RAP nacional?
É uma honra pra mim ter um reconhecimento desse porte , fico felizão! procurei nunca seguir tendências e sim fazer algo primeiramente que atendesse o meu gosto. Desse modo, fui tentando criar minha própria identidade na cena a partir das minhas referências.

Em 2015 você lançou o “Primeiro Impacto”, como foi pra você trabalhar nesse álbum? Você tem mais algum projeto de lançar outro?
Esse disco tinha previsão de lançamento no ano de 2012, porém se deu em 2015 pela complexidade do projeto e por envolver vários artistas do Rap brasileiro e de diferentes localidades. O processo do álbum me oportunizou aprender a lidar com diferentes variáveis que compõe a materialização desse tipo de trabalho. Aprendi pontos importantes como: compreensão do tempo que cada um necessita para a criação, atender ao cronograma, definição de acordos entre o mc e o beatmaker. A gestão desse material para além da produção dos beats exigiu conhecer acercar dos processo de registros das músicas para gerar o fonograma e o cuidado com os detalhes que contribuem para a qualidade do material, entre estes: mixagem e masterização. O Cabes foi alguém que acompanhou esse processo e que me deu uma força.
Fiquei satisfeito com o trabalho que foi desenvolvido pois contou com a colaboração e parceria dos artistas que materializaram comigo o que havia idealizado.
O intuito era fazer o show de lançamento do álbum e prensagem de 2000 cópias de CD físico, o que seria viabilizado via captação de recurso de projeto aprovado na categoria mecenato. Elaborei o projeto com esse objetivo e foi aprovado pela Fundação Cultural de Curitiba, porém tive dificuldades em fazer a captação com empresas privadas. Frente isso considerei outras possibilidade e parcerias, foi quando quando consegui patrocínio das empresas OUS, MESS, 16 TEAM para a prensagem dos CD´s, sou muito grato a eles.
Sobre outros projetos no ano passado eu pensei em fazer um disco novo na mesma pegada do Primeiro Impacto. Porém avaliando a cena nacional atual , percebo que poucas pessoas não consomem um álbum inteiro e a maioria do publico do Rap ouve mais Playlists ,por essa razão preferi fazer lançamentos de singles. A ideia é na sequência reunir estes singles e formar um disco com mais algumas faixas inéditas.


Como você vê o atual cenário dos beatmakers e produtores no Brasil? E o Rap no geral?
A facilidade de acesso a informação contribuiu nos últimos anos para o surgimento de vários beatmakers bons e penso que a tendência que cresça ainda mais o ramo da produção de beats. Porém é importante que esta crescente seja acompanhada de práticas mais formais, como por exemplo, o registro das músicas na ABRAMUS preservando assim o direito autoral. Dessa forma profissionaliza as relações de trabalho e dá os devidos créditos aos envolvidos.
O Rap vem ganhando cada vez mais espaço nas mídias e meios de comunicação, e avalio que algo que contribuiu para isso seja esta nova forma de consumir música que se dá pelas diferentes plataformas de streaming.

Quais serão os próximos planos para a sua carreira?
Tenho uma beat tape que será lançada final de outubro em parceria com meu amigo Spectrum – produtor aqui de Curitiba. Esse trabalho será temático, só com samples usados do anime Dragon Ball Z-GT-Kai-Super. Totalizando serão 10 instrumentais.
Além disso, tenho alguns projetos em andamento também, mas não posso revelar nada ainda (risos).

Na metade do ano, Dario lançou em parceria com o Matéria Prima – o álbum com 13 faixas, nomeado “Bem Boom Bap”, que como já diz o título, tem como característica principal toda a musicalidade e influência dos Boom Baps noventistas. Confira:

Para conhecer mais sobre o seu trabalho, acesse o Soundcloud , Spotify , o canal do Youtube, página do Instagram  e sua página do Facebook