Conheça o som do rapper de Brasília, Rafael Pereira

Rafael Pereira

Rafael Pereira não é nenhum MC estreante dentro do cenário do rap brasileiro, já tem dois discos lançados e no final de 2016 lançou o lyric vídeo da música “Sala de Espera” com a participação de JilóDNA.

Rafael Pereira tem uma característica que ele traz desde o seu primeiro disco lançado em 2013, o “Amores & Crenças” que é fazer rap de um modo soft, batidas tranquilas, rimas e flows que não atordoa sua mente. É aquele tipo de som que você pode dar play e ir fazer alguma atividade qualquer, pois ele irá entrar na sua cabeça e te fará relaxar.

Capa do CD “Amores & Crenças”

O disco começa com a música “Coração Cinza” de forma agradável e na segunda faixa o nível se mantém, o sample é bem estruturado do começo ao fim, é assim que foi construída a música “Por Favor“, então, se eu pudesse te dizer, por favor, ouça, pois te fará bem.

Se Lembra” é a terceira faixa do disco e quando eu começo ouvi-la eu logo me remeto a minha infância, eu consigo me imaginar no cenário dessa canção. O disco destoa apenas no momento que a quarta faixa começa a tocar, “Amores e Crenças” não é uma track ruim, ela apenas te tira daquela zona de conforto que até então o disco estava trazendo. Mas a quinta faixa, “Provas São Provações” quebra o peso que “Amores e Crenças” traz pro disco.

A sexta faixa do disco é “Belladona“, que aos poucos vai trazendo o disco pra aquela pegada mais soft e em seus quase três minutos a música cumpre com êxito na proposta de fazer a ponte pra próxima música.

Coroa“, a sétima faixa do disco, merece destaque pela lirica e acima de tudo instrumental, sim, aquela instrumental bem clássica, muito diferente dos traps modernos de hoje em dia. A próxima faixa, a sétima, “D-fens (Um Dia de Fúria)“, que pelo nome tinha leque suficiente pra ser a faixa mais agressiva do disco, mas não é, ela é apenas uma pequeno intro de pouco mais de um minuto.

Trincheira” começa com o beat leve e depois ganha peso e por mais que ela seja um pouco mais forte que o padrão do disco, é aquela música que você quer continuar ouvindo, pois é empolgante. Então vamos pra faixa 10, hora de “Respirar“, a instrumental te dá folego pra respirar, sim, você vai ouvir a música e lembrar do Kamau, descubra o por que ouvindo as músicas do Kamau. “Dia de Maria” e “Retrato“, faixas 11 e 12 conseguem manter o disco em alto nível até o final e continua a proposta soft que o disco passa.

Em 2015 Rafael lançou o seu segundo disco e dessa vez trouxe dois artistas para fazer feats, um deles foi o Froid, o outro foi o grupo MOVNI. O disco se chama “Verbo Desconstrução“.

Capa do CD “Verbo Desconstrução”

O disco começa em grande estilo com a primeira faixa “Âmago” que me leva de volta para o ano de 2013, quando Rafael lançou seu primeiro disco, uma sensação de que é uma ponte entre trabalhos, ou apenas ele rimando no estilo que ele mais se sente bem. “Fim do Mundo“, “Smartírio“, “No Turno” brincam com o lado experimental do disco e em “Amora“, quinta faixa do disco, que chegamos numa love song cheia de referências.

Desfibrilador“, “Sonhos (Interlúdio)” e “Mistérios” com participação do MOVNI continuam com aquela pegada completamente experimental que sai um pouco da zona de conforto do rapper.

As duas últimas faixas do disco junto com a primeira faixa, “Âmago”, são as melhores do disco. A nona faixa do disco é “Foi“, uma parceria entre Rafael Pereira e o Froid, single que ganhou um clipe extremamente conceitual e com fotografia em preto e branco. Froid chega bem pesado no refrão com aquele seu timbre marcante. No clipe nenhum dos rappers aparecem e o destaque fica por conta da atriz que dança durante todo o vídeo.

A décima e última faixa do disco é “Jaboticaba/Sinos“, não tinha jeito melhor de terminar esse disco, não tinha mesmo. Rafael Pereira encontrou todos os elementos necessários pra fazer uma linda canção de desfecho para o disco.