Black is back! Entrevistamos o Black Alien

Tivemos a honra de conversar com Gustavo Black Alien após seu show no João Rock 2016. Ainda na vibe do show falamos sobre a apresentação, o público, o clipe, a luta diária do rapper e muito mais, saca só.

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João Rock 2016: O rap nacional em destaque no festival

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Como se sentiu sendo uma das atrações principais desse evento tradicional?

— Então, fiquei felizão. Já tive oportunidade de cantar para público deste tamanho, porém em outros tempos com o Planet Hemp fazendo muito sucesso, também experimentei isso com os Raimundos fazendo participações e já peguei público deste tamanho também com o falecido Chorão, saudoso Chorão. Foi meio que uma volta as essas épocas, digamos assim, literalmente de ouro da vida.

E a recepção do público?

— Vi gente te todas as idades e fiquei muito feliz com isso, eu soube também que um garoto surdo-mudo que sempre vem ao show e conseguiu entender a letra pela primeira vez graças ao nosso interprete Fabiano.

Foto por: João Rock
Foto por: João Rock

Achamos muito bacana existir tradução simultânea no show, como surgiu a ideia? Afinal, a acessibilidade é uma das essências do Hip-Hop.

— Não sei se isso já chegou a acontecer, se algum outro artista realizou isso em algum outro projeto, porém veio de uma letra “Somos o Mundo” que pensei somos o mundo, mas tem tanta gente no meio Amazônia, na favela do 4º mundo que as vezes nem sabe o que é RAP, comecei a pensar em quem não anda, quem não vê, cogitei até produzir um livro de letras em braile. Percebi que posso começar a fazer isso agora, tanto é que fiz o verso para os surdos-mudos e pensei, agora que fiz o verso preciso ir adiante.

“A laje da minha avó é o meu Monte Sinai, Linguagem pros surdo-mudos, mando versos nos sinais. Paz” — trecho do som “Cidadão Horário” do Mr. Niterói.

À esquerda do vídeo, você pode ver o interprete Fabiano traduzindo as músicas de B.A. para os surdos.

Também achamos muito interessante um evento nacional de Rock com 3 atrações como principais com uma essência fundada do RAP.

— Sempre soube que o RAP ainda vai muito mais longe, porque enquanto existir mundo vai existir o RAP, porque enquanto existir mundo vai te assunto e se tiver assunto gente vai estar falando. Nunca estará uma maravilha, pois perfeito só Deus, mas o mundo pode ser melhor, a gente pode ajudar, pode instigar o raciocínio, informar, levar informação para muitas pessoas que não tem. Eu também sou muito informado por quem me ouve, muitas vezes quem me ouve tem uma interpretação diferente da que tive e assim um vai abrindo a mente do outro.

E o clipe “Rolo Compressor” que foi lançado e foi exibido durante todo o show, como foi?

— Então, o artista é meu amigão Gustavo Amaral, ele já produziu outras coisas pra mim, a série “No Princípio Era o Verbo” foi produzida no início do ano passado, são uma série de entrevistas mostrando como era compor saindo do tratamento fechado, compor sem beber foi como se eu tivesse começando a escrever então eu tive um pouco de dificuldade e decidi contar como era o dia a dia da minha dificuldade.  O cara é um artista do caralho, eu era fã dele daí eu fui chegando em quem conhecia ele até chegar nele. Nós fomos conversando sobre referências cinematográficas, gosto de tal filme, vamos fazer preto e branco, as pessoas que gosto, Chorão que foi nosso amigo em comum, referências como Malcom X, Betinho, Chico Mendes que são nossos heróis brasileiros e colocamos os heróis gringos também ali na cabeça do menino Black Alien.