Alguns dos melhores RAPs para sentir a Consciência Negra

“Agora irmãos vou falar a verdade
A crueldade que fazem com a gente
Só por nossa cor ser diferente
Somos constantemente assediados pelo racismo cruel
Bem pior que fel é o amargo de engolir um sapo
Só por ser preto isso é fato
O valor da própria cor
Não se aprende em faculdades ou colégios
E ser negro nunca foi um defeito
Será sempre um privilégio”

É citando Cambio Negro que eu começo este salve do dia 20 de novembro. Dia da consciência negra. Dia de Zumbi dos Palmares. Feriado em vários estados e municípios do Brasil. A negritude tem consciência todos os 365 dias do ano, mas se existe dia do evangélico, dia de Tiradentes, dia da “independência”, não entendo porquê tem gente que se incomoda com o dia da consciência negra.

Não vamos focar em direitos, reparações, discussões sobre cotas… Hoje eu quero que você cole comigo para relembrar alguns clássicos do Rap nacional que fazem refletir sobre o que é ser negro, exaltam o povo preto, protestam, elevam a auto estima, como fez Jorge Ben em “Negro é Lindo“, Jorge Aragão em “Identidade” e Elza Soares em “A Carne“.

Começando por “A Maloca” do Código Penal, grupo de Brasília. Usando a melodia de um som do Shai, grupo de R&B norte americano dos anos 90, esse som é foda! “Então veja como está o meu povo sofre demais / Escravizados desde os ancestrais, há tempos sentem muitas dores / Capturados, seu físico explorado, mas um espírito guerreiro / Viva seu povo, ó grande “Oxum?/ Não vai morrer a geração de negro (guerreiro) / Havia choro e sofrimentos lá no tronco

Aquele papinho que estressa qualquer pessoa com bom senso: “Vocês se vitimizam demais“, “racismo não existe“, “cota é racismo ao contrário“… Emicida em “Cê Lá Faz Ideia” deu o papo reto sobre o que é ser negro, coisa que muita gente não faz ideia. “São regras do mundão / Perdi a conta de quantos escondem a bolsa se digo ‘Que horas são?’/ Taxistas perguntam mais que policiais a mim / Sim! Indescritível como é ruim

E para a rapaziada que não se assume, Thaíde destilou suas rimas em “Sou negro Demais Pra Você”. “Paga um pau pros brancos, se acha pior que eles / Foi chamado de preto ladrão, quantas vezes? / Puxa-saco como é deve nem ligar pra isso / Acha normal usar elevador de serviço / Sou direto, mesmo não dando nome aos bois / Como a preta-branca que, se pudesse, morava dentro de um saco de pó de arroz / Pra ficar mais clara / Passa tanta maquiagem quando beija alguém, quase gruda a cara

https://www.youtube.com/watch?v=912ukPp_slI

Eduardo falou em uma entrevista que se hoje a molecada usa uma camisa dizendo “100% Negro” é graças ao Hip Hop dos anos 90. E foi em 1993, que DMN soltou a clássica “4P“.

https://www.youtube.com/watch?v=H7okvyzbMmE

Em 2001, com a colaboração de Leci Brandão, Rappin Hood citou todos os negros importantes para a história da humanidade em “Sou Negrão

Preto por convicção acha bom submissão / Não, da ré no Monza e embranquece na missão/Tem que ser sangue bom com atitude / Saber que a caminhada é diferente pra quem vem da negritude“. MV Bill mostrou a diferença entre o movimento negro em “O Preto em Movimento“.

Letra pesada, só com rima de classe é “Eu Só Peço a Deus” do Inquérito! “Bandeirantes, Anhanguera, Raposo, Castelo / São heróis ou algoz? Vai ver o que eles fizeram / Botar o nome desses cara nas estrada é cruel / É o mesmo que Rodovia Hitler em Israel

Tem que ser tema para tese de mestrado a letra de “Carta à Mãe Africa” do GOG, sem exagero. Ninguém foi tão conciso ao tratar de negritude em um Rap. “E rancorosos, maldosos muitos são / Quando falamos numa mínima reparação / Ações afirmativas, inclusão, cotas?! / O opressor ameaça recalçar as botas / Nos mergulharam numa grande confusão / Racismo não existe e sim uma social exclusão / Mas sei fazer bem a diferenciação / Sofro pela cor, pelo patrão e o padrão

Entre “Voz Ativa“, “Negro Limitado” e “Racistas Otários” qual é a mais louca? “Negro Drama” lógico! Proponho uma discussão sobre que música deveria se tornar o hino do dia 20 de novembro. Meu voto é para “Negro Drama“. Não precisa explicar o porquê né?! Todo mundo se vê nesse som, até quem não é negro. Um parceiro meu definiu o que era “Negro Drama” para ele: “A parte do Edi Rock você reflete sobre o que é ser preto e tal. A parte do Brown você se orgulha de ser negro, e, se não for, quer tomar um banho de piche para passar a ser!” Já dizia a canção:”…se você soubesse o valor que o preto tem/Tu tomava um banho de piche, branco e, ficava preto também“.