Um papo sobre: produção dentro do audiovisual e do RAP brasileiro.

Na ficha técnica de um clipe de RAP muitos nomes ganham destaques, enquanto outros só ganham mesmo as madrugadas sem dormir atrás de deixar tudo perfeito. 

Produtores e produtoras, quem são? Onde habitam? A descrição do trabalho de cada um destes profissionais sempre foi uma parte bem difícil, já que é quase impossível definir onde eles não atuam.

Eles são o meio de campo, quem organiza o jogo, também são quem organiza o estádio, quem entra em contato com o contratante, com a gravadora, com o estúdio e muitas vezes até com a gente, os jornalistas.

E assim como no campo cada um tem sua posição, na produção não é diferente: tem produção cultural, produção artística, produção de elenco, produção de casting, produção no geral, ou mesmo produção musical, que já é outra história, entre diversas áreas.

Mas essa é uma visão de fora, para ver com quem tá dentro, bati um papo com pessoas que trabalham na produção. Sempre fazendo as mesmas perguntas para cada um: 

Natalia Folgosi


Quais principais artistas que você produz e produziu?

Já produzi muita gente, trabalhei 5 anos sendo booker e produtora de estrada do Mc Shawlin, trabalhei em diversos clipes, como Tropikillaz, Djonga, Haikaiss, MagrolisMc, Doncesão, Febem, Clara Lima, Krawk,Tati Zack, Entre Linhas, Recayd, Kant, Cidade Verde, entre outros, onde todos os trabalhos podem ser conferidos na minha Bio.

Hoje em dia trabalho na empresa Ceia Ent, ao lado da Nicole Balestro, que meu abriu uma porta muito grande, na qual tenho uma admiração e gratidão enorme.

Como você descreve o seu trabalho sendo uma produtora artística?

Descrever o trabalho da produção é complicado, acho que temos que ser corajosos, competentes, organizados e MUITO pacientes. Lidamos com todos outros departamentos dentro do audiovisual, tudo passa por nós, então temos uma responsabilidade muito grande e com certeza me mérito de fazer tudo acontecer.

O que você falaria pra quem deseja trabalhar na área do entretenimento? Principalmente trabalhar no RAP e com produção?

Sou suspeita pra falar sobre trabalhar com entretenimento, simplesmente AMO, mas sempre bom reforçar que não é um mar de rosas, tudo requer garra, responsabilidade e muito amor envolvido. Não podemos produzir por produzir, nosso nome esta ali, nosso talento, nosso esforço  e muitas noites sem dormir, isso em qualquer vertente, eventos, shows, clipes, publis….

O Rap hoje em dia vem ganhando muito espaço, é um som que eu curto, e trabalhar com artistas que sou fã descreve qualquer coisa. Temos apenas que ser pacientes, mostrar serviço e correr atrás. Já ouvi muitos falarem que é sorte, eu sempre pensei muito nisso, mas so vi que era sorte quando corria atrás dos meus objetivos.  Não existe sorte se você não se mexer pra SOMAR em algo, ou correr atras do futuro. Demorei anos pra conseguir um espaço e um nome na profissão que escolhi, foram anos levando não, anos não conseguindo mostrar que era capaz. Nada é sorte e sim Nós.

Você indicaria para alguém que está começando no RAP ter um produtor/ uma produtora em sua equipe?

Indicaria e indico, com certeza o produtor soma, ajuda e trabalha pro melhor do artista, ter uma pessoa responsável para resolver certos pontos acrescenta demais a vida e ao trabalho do artista, seja na executiva, um produtor de estrada, um produtor de eventos, produtores de palco, elenco e afins…

Qual história mais inusitada ou interessante que aconteceu com você enquanto produtora artística?

Ja passei por várias situações assim, difícil quando não acontece algum b.o hahahah.

Já precisei de mais internet para um ao vivo que entrava no ar em 3 horas, falta de equipamento de luz para gravações, quando eu viajava como produtora de estrada, cheguei a receber passagem emitida com o nome errado, perda de voos, contratante que não paga, mas estamos ali para resolver, normalmente o erro dos outros kkk.

Cata (Catarina Capelossi)

Créditos da foto: @felipenml30

Quais principais artistas que você produz e produziu?

Guerrilheiros (até 2017)
Cynthia Luz (até 2019)
Quebrada Queer – Coletivo (Atual)
Lucas Boombeat – Mc Solo (Atual)
Lagum – Banda (Atual) 
Just Bella – Cantora (Atual)
Gabriel Henriques – Cantor (Atual)
André Nine – Produtor Musical  (Atual)
Nox – Produtor Musical (Atual)

Como você descreve o seu trabalho sendo uma produtora artística?

Descrevo como algo que eu amo! A adrenalina de estar sempre em um mini furacão e ao mesmo tempo no paraíso, faz o coração pulsar a cada evento, viagem, planejamento,  lançamento…

O que você falaria pra quem deseja trabalhar na área do entretenimento? Principalmente trabalhar no RAP e com produção?

Que você precisa ter certeza que isso é o que você quer pra sua vida, porque essa vida não é brincadeira e nem fácil. 

Saber que lidar com entretenimento, e principalmente no RAP, é necessário ter pulso firme, cabeça no lugar e foco! Não se deve confundir a curtição dos outros, com a sua (claro que é possível curtir, mas de forma coerente :)) 

Você indicaria para alguém que está começando no RAP ter um produtor/ uma produtora em sua equipe?

Eu sempre fui a favor de times por traz dos artistas. A produtora (ou produtor) será o Porto Seguro do artista, aquele que você vai olhar e pedir o que for, e não se preocupar com mais nada além de fazer música (óbvio que você artista precisa entender os processos do seu trabalho, mas quanto mais você puder ficar despreocupado, melhor!) Então se você está começando, procure montar seu time e lembre-se: trabalho é trabalho! 

Qual história mais inusitada ou interessante que aconteceu com você enquanto produtora artística?

Ah foram várias… uma vez fomos fazer um show no interior de SP, e meu marido desde o princípio sempre foi meu sócio e parceiro, e na época ele era improdutivo técnico da gig.. nessa situação tinha um intermediador que havia feito a conexão para que o show rolasse e ele tava encrencando comigo por conta de uns acertos, mal explicados da parte dele, e eu como mulher ali sempre sendo taxada de fraca e que tinha que ceder… continuei firme, pra tentar entender quem estava agindo de má fé, depois de bastante discussão conseguimos acertar os pontos entre casa (contratante), intermediador e nos (representantes da artista). No final do show o intermediador chamou meu marido (sem saber que ele era) e de forma bem machista soltou aquela frase “deve ser difícil ter essa mina aí na equipe, cê devia dar uns tapas nela…” 

hahahaha bom, claramente que o comentário não foi bem recebido, mas com toda calma do mundo, conseguimos explicar que com mulher por perto a gente só tem que agradecer hahaha!

Juninho

Quais principais artistas que você produz e produziu?

Em torno de 2009 a Rádio CBJR me fez conhecer a banda Strike, onde dei um primeiro passo. Fui o mano do merchandising que só vendia cds e camisetas, ao stand-by que ajudava como podia devido ao interesse que já levava comigo. 

Trabalhei com Kamau em 2011 como merchandising e braço do Produtor Zeca Emecea.

Na mesma época conheci a Banda Onze20, que acompanho até hoje em algumas situações que a logística permite. Com eles atuei em muitas cidades e fui um faz tudo ao produtor artístico, fomos em mais de 30 rádios e alguns programas de TV como Faustão, altas horas, multishow …

Atualmente sou produtor de dois DJ’s excepcionais “TREZE e NIZZ” @gustavotreze / @nizzxzz e também da maravilhosamente incrível @claralimamc Artistas da Ceia Ent. @ceiaent 

Fiz shows como produtor com a dupla De BH, HOT E OREIA em uma sequência de shows em SP em algumas semanas também.

O que você falaria pra quem deseja trabalhar na área do entretenimento? Principalmente trabalhar no RAP e com produção?

Trabalhar com produção de qualquer área exige uma necessidade de conhecer sua equipe, parceiros ou artistas, obtendo confiança de todos. E claro mais que gostar, é necessário amar ser produtor, amar a música, amar o RAP.

Como você descreve o seu trabalho sendo um produtor cultural?

Descrevo meu trabalho como produtor cultural de uma maneira que estou brigando com a vida pra pegar o que é meu. 

E esse meu são experiências, uma visão panorâmica que sempre que estou com a Clara ou Gustavo Treze, NIZZ procuro manter o foco, são minha galera! Trato como Beyoncé e Axl Rose hahaha … Na emissora de TV que trabalho, me doou o máximo também. Inclusive meu maior ganha pão, ainda mais com essa crise.

Você indicaria para alguém que está começando no RAP ter um produtor/ uma produtora em sua equipe?

Indico demais, porque cada show uma alegria, cada esquina uma história …

E esquina tem de monte cada uma com suas diferenças, nunca será igual e sim diferente.

O artista tendo um bom profissional ou equipe do seu lado, que vestem a camisa, vai se preocupar somente em se apresentar, pois terá um bom cronograma, uma organização melhor em toda logística, se houver algum problema o artista fica “blindado” e eu resolvo.

Qual história mais inusitada que aconteceu com você enquanto produtor cultural?

Recentemente  trampei num show modo drive-in e foi bem inusitado devido ao aspecto de novidade e cautela, começo da quarentena fizemos umas 3/4 lives o que gerou clima parecido, mas mais virtual …

Adriano Stoor

Nos projetos de quais  artistas você já trabalhou? 

Na música os principais são Marcelo D2, BK, L7, Anitta, além de produzir publicidade, TV e cinema. 

Como você descreve seu trabalho sendo um produtor de Casting? 

Meu trabalho é pensar junto com direção e roteiristas cada perfil e encontrar a pessoa certa para cada cena. 

O que você falaria pra quem quer trabalhar na área do entretenimento? Principalmente no RAP e com produção de Casting? 

Eu falaria pra estudar muito, pesquisar, se preparar, correr atrás que os trabalhos vão acontecer, você não vai começar fazendo os trabalhos gigantes, mas trabalhando certinho na hora certa eles chegam.

Você indicaria para alguém que está começando no RAP ter um produtor, uma produtora em sua equipe? 

O artista hoje tem que ter um audiovisual legal, pois isso ajuda muito o público a conhecer o cara. Então acho muito importante ter o investimento na área audiovisual além da musical. Muita gente foca só no lado musical  e não valoriza muito o audiovisual e isso faz com que a qualidade de vídeos não seja tão boa quanto a musical. Acredito que são coisas que andam junto, se você ver os álbuns visuais que alguns artistas estão fazendo você repara que imagem e som andam juntos e se completam. Grandes exemplos são “Amar é para os fortes” do Marcelo D2 que inclusive produzi o Casting, e “Black is King” da Beyonce cada pessoa ali foi pensada pra cada cena, assim como cada beat, cada letra, cada arranjo. Tudo anda junto.

Qual história mais inusitada ou interessante aconteceu com você enquanto trabalhava? 

Cara uma coisa muito interessante foi o processo do “Amar é para os Fortes” Marcelo marcou uma reunião e  colocou o disco enquanto explicava o projeto e lia o roteiro, depois ele perguntou se eu gostaria de fazer parte do projeto, ali eu estava tendo a oportunidade de trabalhar com uma das maiores referências do estilo musical que eu mais gosto no Brasil. Foi muito gratificante todo processo e coroou meu trabalho no meio do Rap. Quando eu faço um trabalho pra publicidade, TV, eu faço porque é meu trampo pela grana, ali foi mais que um JOB foi uma realização.

Karina Fermi 

Quais principais artistas que você produz e produziu?

Hoje é a primeira vez que estou oficialmente trabalhando como produtora de um artista, que é a Luisa Sonza e estamos no comecinho de um trabalho imenso. Mas também já produzi ao lado da Nicole enquanto era produtora da Ceia, toda a família – Clara Lima, Doncesão, Djonga, Torres, GustavoTeze e Nizz, Tasha & Tracie, James, Pizzol, Febem.


Como você descreve o seu trabalho sendo uma produtora?


Sempre achei muito difícil descrever o que é/faz um produtor mas acho que a parte mais incrível e que me motiva todos os dias e me faz pensar que escolhi a profissão certa é, mergulhar na solução e nunca no problema. Ao longo do percurso de diversos caminhos que nos deparamos na estrada da produção, coladinho no trajeto, vem os problemas/obstáculos; Ser produtora é se precaver, para evitar de todas as formas precisar remediar, mas se não tiver jeito, é enfrentar o problema sem perder tempo pensando quem é o culpado e ter atenção para que não se repita.


O que você falaria para quem deseja trabalhar na área do entretenimento? Principalmente trabalhar no RAP e com produção?


Mesmo que sua escolha seja o ENTRETENIMENTO, não se esqueça, o entretenimento é para o público, para você é trabalho. E para que qualquer trabalho seja executado com excelência é preciso determinação e foco. Álcool e trabalho não combinam! Você terá de lidar com muitas distrações à sua volta, seja forte, no final vale a pena. (minha opinião ok, o que funciona e tenho como regra PARA MIM) 

Acredite no potencial do RAP como se ele fosse grande no Brasil assim como é o POP, sua função como produtor além de executar o que é inexequível é que seu artista confie e acredite em você, e se você não acredita no sonho dele e no que o RAP pode fazer, talvez seja frustrante para ambos.


Você indicaria para alguém que está começando no RAP ter um produtor/ produtora em sua equipe?


Óbvio! Essa é minha profissão e quero todos os meus colegas de trabalho empregados rs

Brincadeiras à parte, acho que x produtorx é aquele que une todas as pontas soltas da equipe. Não importa se o artista está no início de sua carreira ou se já tem muita bagagem na estrada, artista precisa ter ideias, ser criativo e as funções diárias de pessoa física e jurídica acabam minando essa criatividade essencial. O produtor é quem lida com tudo isso, é quem dá norte na equipe e quem também se desgasta em nome de seu time para que tenha o melhor acordo para os seus.

Qual história inusitada e interessante que aconteceu com você enquanto produtora?


Fica difícil eleger apenas uma! Kakakaka

Fomos fazer o show de lançamento do álbum “O menino que queria ser Deus” do Djonga no dia 4/Maio de 2018 e seria no O Mercado em BH. Quem estava como organizadora do evento era a Ceia e como maior parte do time mora em SP, peguei o primeiro voô do dia, Gustavo e Nizz foram comigo pois além de serem Djs do evento, precisavam estar na passagem de som que aconteceria de tarde. Cheguei la, deixamos as coisas correndo no hotel e fomos pro local do evento, tinha bastante detalhe a acertar e eu precisava resolver tudo para que Nicole e Cesão chegassem no final da tarde.

No mesmo dia em BH teriam outros 3 ou 4 shows de RAP na cidade, com atrações grandes. Mas estava tudo rolando perfeito, os ingressos do nosso show estavam praticamente esgotados e a montagem estava caminhando tranquilamente. E então, perto das 17h, Nicole e Cesão já estavam em vôo, recebemos a notícia do gerente da casa (se não me engano) que não poderíamos realizar o show e que o evento tinha sido embargado. DO NADA! Agora já imaginem na cabeça de vocês a correria que começou e claro, NÃO ACEITAMOS ESSE EMBARGO. Eu, equipe do Djonga, amigos e familiares, equipe Ceia, todos corremos para dar um jeito nessa notícia que não acreditávamos, pois não fazia sentido. Iriamos realizar o evento em uma casa famosa de BH que sempre sediou muitos shows e apresentações de grande porte, não tinha porque esse alvará permanente ser cancelado, dessa forma.

Até hoje não sabemos o real motivo por não ter conseguido realizar o evento no O Mercado, porém, tivemos que correr pro plano B que até as 21h desse mesmo dia, não sabíamos que existia! Conseguimos transferir o show para um evento eu já estava acontecendo em uma outra casa de show em Bh (não me lembro o nome da casa, sei que eram uns 12km de distância e bem complicado o acesso de transporte público pra lá) nesse evento ia ter show do MC Kitinho, funkero e a casa era grande, mas não com precisávamos que fosse.

Já eram 22h e 40% do público do show já estava na porta do O Mercado esperando o evento começar – os portões abririam às 23h.

Então Djonga pegou um megafone e gritou para a galera da calçada tudo o que tinha acontecido e que disponibilizariamos um ônibus rodoviário para fazer o traslado do público que não teria como ir por conta para o novo endereço do show.

Daí em diante a correria só triplicou e pra piorar meu celular pifou! O show começou com atraso, o público se espremeu como sardinha, mas entregamos um espetáculo, mesmo com todos os percalços pelo caminho! Ganhei mais uma grande história pra contar, vários fornecedores incríveis em BH e mais muitas lições com tudo isso. Nesse dia pensei várias vezes o que eu tava fazendo da minha vida sendo produtora, mas no final do show, como boa geminiana que sou, agradeci imensamente por ter escolhido essa profissão e que todo corre valeu muito a pena!

Thomaz Garcia

Quais principais artistas que você produz e produziu?

Eu sou produtor do ADL e através do Projeto Favela Cria, eu produzi diversos artistas do rap, de Choice e Cidinho General. Também além da minha experiência como produtor executivo de festivais, onde tenho contato com outras áreas das artes: do teatro até cinema, artes plásticas.

Como você descreve o seu trabalho sendo um produtor?

Meu trabalho é orgânico. No ADL, temos um processo muitas vezes coletivo. Então procuro ter uma voz ativa dentro das coisas que o ADL propõe artisticamente. Então sou um produtor artístico quando a gente cria os videoclipes. Sou empresário quando vendo shows e penso a estratégias da carreira, quando administro. Sou gerente quando coordeno os projetos paralelos . Sou quem organiza o camarim na ausência de um equipe.

Foi importante pra mim aprender todas as camadas da produção. Eu entreguei panfleto pra fundição progresso e depois estive no palco com ADL , gritando Favela Vive com 5 mil pessoas. Tive que aprender com as dificuldades. Da escassez de recurso, material, financeiro, humano.

A gente tá na região serrana, na favela do interior do estado do rio. Era preciso mais que inspiração.

Mas não sou “o faz tudo!” Pelo contrário. Acredito que que a produção é um ofício de transpiração.  Estou em contato direto com a inspiração dos artistas. Encontrar a dose certa. A ciência de observar, de ensaiar, de acontecer. 

A gente precisa se especializar em tudo que a gente faz.

Logo não sou um produtor faz tudo. Não sou um coringa que pode entrar no baralho e mudar a jogada. Nem tampouco ficar ali só pra inflar a mão.

Sou produtor que materializa sonhos. E procuro colocar os meus na mesma sintonia.


O que você falaria para quem deseja trabalhar na área do entretenimento? Principalmente trabalhar no RAP e com produção?


Precisamos estudar e nos organizar. Os produtores e produtoras estão numa categoria muito ampla.  Então somos desde quem vende o show até quem produz o clipe, somos as técnicas de som, somos o produtor do programa de rádio. Verificamos o vôo, alimentação, o transporte. Somos a segurança , a limpeza. Somos quem a imprensa. Antecipamos os problemas, não resolvemos todos eles. 

É importante essa essa ideia! De classe, e categoria né? Para que a gente esteja na direção de profissionalização de qualificação da cena.

Qual história inusitada e interessante que aconteceu com você enquanto produtora?

Em uma das produções que fiz pro Favela Cria, íamos gravar um clipe com DK, FBC, Clara Lima e Vietnã, nessa altura do campeonato nunca achei que um SMS ia me salvar. Era madrugada, no dia anterior do clipe e eu recebi uma mensagem da Azul falando que o vôo da Clara Lima tinha sido cancelado e ela ia precisar ir pro aeroporto pra ver como ia remanejar o vôo.

Só que o vôo era 6 horas da manhã, ou seja, eu mandei mensagem pra ela 5 horas falando pra ela não ir pro aeroporto e vir de carro de Teresópolis pro Rio. Olhei na internet e só tinha uma passagem no dia. Se eu não conseguisse essa passagem, o clipe ia ter que ser remarcado conforme a disponibilidade da Azul. Desci correndo pro aeroporto atrás dessa última passagem, cheguei no aeroporto em 1h10, comprei e tive o dia mais corrido da minha vida com a produção do clipe.

A gente teve que adaptar todos os atrasos, adequar.

O final da história fui eu levando o Vietnã na rodoviária 11h57 pra um ônibus que saia 00h00.

E o SMS salvou minha vida porque minha casa não pegava sinal de SMS, e pra confirmar a compra online precisava receber esse maldito SMS, como eu tava comprando uma passagem com menos de 12 horas. A única forma de conseguir comprar a passagem e confirmar era deixar de lado o torpedo SMS e partir feito um torpedo.


É isso, galera. Um agradecimento especial à Natália Folgosi, que como grande produtora que é, foi produtora também desta matéria, ajudando muito e fazendo o meio de campo com boa parte das pessoas que participaram desse bate-papo.

Espero que vocês tenham curtido, se tem alguma pessoa que faltou ou alguma outra área que você acha que mereça uma atenção é só comentar aqui embaixo ou procurar a equipe nas redes sociais.