Foto por Maria Emanuelle (@phmmemanuelle)

“Só abri meu negócio por causa do Djonga”

Elionai da Silva tem 24 anos, e é morador do bairro Jardim Leblon, região Venda Nova de Belo Horizonte. Nascido e criado na favela, ele sempre reflete sobre como é ser um jovem negro e morador de periferia, que automaticamente tem que passar por barreiras para alcançar seus objetivos.

A barbearia Big Black Barber criada por ele, começou com a influência de uma pessoa da mesma cidade: Djonga. Através das letras escritas por um conterrâneo, Nai, como é conhecido, se sentiu motivado e inspirado a correr atrás dos seus sonhos.

A história começou quando Nai era funcionário de uma grande rede de supermercados da cidade e há 4 anos e 10 meses prestava serviço pra essa empresa, que o obrigava a seguir padrões estéticos. Nesse tempo, um colega de trabalho apresentou um artista que estava movimentando o rap belo horizontino, que foi quando ele ouviu o “EP Fechando o Corpo“, lançado em 2015. Desde então, começou acompanhar Djonga, que surgia com muita força na cena da cidade.

Foto por Maria Emanuelle (@phmmemanuelle)

É pra nós ter autonomia, não compre corrente, abra um negócio.
Parece que eu to tirando, mas na real tô te chamando pra ser sócio
” e com esse verso da Hat Trick do álbum Ladrão, nasceu a Big Black Barber.

A partir daí, Nai soube que pra conquistar o que sonhava, era necessário abdicar de algumas coisas para atingir objetivos ainda maiores. Foi aí que pediu conta na empresa que trabalhava e embarcou numa nova fase de sua vida.

Quero tirar meus irmão da lama e quero dar uma melhora pra minha coroa e pro meu coroa também!

Elionai da Silva

Assim como Djonga foi influente na vida dele, Nai também sonha em ser influência pra sua comunidade através do seu trabalho. Em um lugar onde falta referências, ele almeja ser inspiração para as crianças da quebrada.

Sua barbearia tem como diferencial o cuidado com cabelo de pessoas negras e o objetivo de elevar a autoestima dos moradores da favela. Ele afirma que não quer ser mais um preto que passou a vida em branco. Um de seus sonhos é conhecer Djonga pessoalmente, já que ele o tem como referência pra música e pra vida.

Sou imensamente grato por viver ao lado de pessoas como Nai. Saber que a cultura muda a vida das pessoas não é novidade pra mim, porque eu sou reflexo disso. Casos como esse acontecem com diversas pessoas em cada canto do país. Ter a oportunidade de acompanhar essas revoluções de perto é magnífico e me sinto honrado em poder contar uma pequena parte dessa história. Vida longa à barbearia Big Black Barber e ao Elionai, que é uma pessoa extremamente foda, tanto no lado pessoal quanto profissional.

O que se aprende no caminho, importa mais do que a chegada

Djonga em Hat Trick