Sant lança single ‘Brabos’ com participação de Diomedes Chinaski

Pra quem acompanha a série de entrevistas que rolam aqui no site, neste mês de maio,  Sant trocou várias ideias com nós a respeito de sua carreira, parcerias e novos projetos. No mês de julho, prestes a completar dois anos do seu primeiro disco “O Que separa os homens dos meninos“, o mc afirma que muitas coisas foram marcadas em sua vida desde então. Além da sua última colaboração em “Leões”, disco de Kayuá, Sant adiantou que ainda este ano, nove faixas serão lançadas, com colaborações de Luccas Carlos, JL e LP Beatzz.

Nessa quarta-feira (31), com produção de Dj LN, Sant lança em seu canal “O mundo ao norte” seu novo single chamado ”Brabos“, que tem a participação de Diomedes Chinaski. Vale a ressalva, principalmente para quem o acompanha, que, todos os seus trabalhos autorais e independentes, serão postados diretamente pelo seu canal de agora em diante. Então, fica a indicação. Sigam!

Com uma abordagem totalmente dinâmica, o som veio como uma sugestão ao momento em que o Rap nacional se encontra, trazendo uma discussão não tão pesada, mas sem amaciante, claro.

“Eu gosto muito de trabalhar em ciclos. Cada música lançada é um marco, tanto profissional quanto pessoal, entende? As vivências que canalizo e pontuo no meu rap. A música “Brabos” traz essa temática de um convite à passeio. Conhecer um pouco do que foi trilhado e entender um pouco mais sobre o quê que esses marcos tem provido. Parece que eu e Diomedes contamos a própria versão de uma mesma história, gostei disso. Espero que sintam!”, diz Sant.

Dono de uma lírica inconfundível e, como já era de se esperar, O Aprendriz veio mais uma vez enaltecendo suas origens e flows em cada linha de seus versos, trazendo vivências, nomes e fortes referências ao longo de sua trajetória, tanto no lado pessoal, como artístico. Veja o que Diomedes tem a dizer:

“Sant me mandou a primeira estrofe e o refrão da música, que fala basicamente de apropriação cultural, e fala essa parada de ser da rua e eu fiz várias citações de bairros, de várias galeras de PE, amigos, pessoas reais, locais reais… Eu vim provando que piso nos lugares de fato, já que essa ela fala disso. Nessa altura da música, eu dei uma aprofundada melhor, quando eu cito o lance do ‘Quilombo de Malunguinho’, é um quilombo que se estendia de Paratibe até Goiana, que era o quilombo de ‘Catucá’, do último malunguinho João Batista (1835). Eu falei disso, porque meu avó é de Paratibe, e como meu avó é preto, logicamente ele descende desse quilombo aí, até porque é bem recente, faz cento e poucos anos atrás, ainda funcionava e foi destruído, os caras foram assassinados… e aí eu faço essa citação, só que na época da ditadura, meu avô era o único homem negro que tinha uma banca de revista no centro de Paulista, e ele vendia panfletos comunistas, tá ligado? E ele foi perseguido pelos militares”.

O som contou com uma equipe e tanto na realização do single. A mixagem e masterização foi feita pelo mestre Luiz Café, ArtWork pelas mãos grandiosas do ilustrador Finho (BA), toda a direção de arte ficou por conta de Gabriel Camacho, captação por Johnny Monteiro, Thiago Honorato e o Motion Graphic por Nathan Ferreira.

Bom, como diz Sant: Espero que sintam! O som está grandioso.

Trecho da música
”O que vejo agora é desgraça de fato/ 
a maldita volta de 64/ falsos Mcs vão fechar com os Olavos/ nós seremos assassinados/ vocês já tão prontos pros palcos/ só que ainda nunca leram Malcolm/ Mcs Jonhson Jonhson tá pensando que essa porra é talco”