O.R. mostra maturidade e responsabilidade no seu primeiro trampo lançado na rua, ‘Não Admito’

Sabe aqueles dias que você acorda com a cabeça explodindo e precisando ouvir um som no qual você se encontre na letra e que o beat te acalente? Desde a última quinta-feira (18), quando o selo Diresponsa lançou o primeiro trabalho do mc O.R., “Não admito“, essa tem sido a minha escolha para esses momentos que exigem um pouquinho de conforto. Num beat do produtor Caio Passos, um audiovisual pesado do Igor Selingarde, O.R. chegou profundo no seu primeiro trabalho na rua.

Diretamente da Zona Norte de São Paulo, o mc colocou sentimento e visão num trap que toca profundo, e não dava pra ser diferente. A base foi escolhida propositalmente, porque causou essa mesma emoção no compositor desde que ele ouviu pela primeira vez, e isso foi premissa pra toda mensagem que seria transmitida — ele explicou um pouco dessa relação: “Esse tinha que ser o beat, porque ele pede sentimento e de cara o beat já arrepia, e aí eu me inspirei nas decepções da vida, amor, amigos, classe social. A fita que eu queria passar pros ouvintes é que, se não deu certo, podemos tentar de novo e de novo e de novo, mas sempre com bom senso. Passar que existem coisas além da beleza, da aparência, que o rap não é disputa tá ligado tem espaço pra todo mundo”.

Acho foda ver alguém valorizando uma redução da competição no Rap quando todo dia pipoca tretinha por ego nesse game. Foda porque faz esse corre ser mais próximo da realidade de muita gente, alimenta o sonho e faz ele ser mais palpável do que todas as vezes que o menor se imaginou nas telas do clipe e nas tábuas do palco, porque é alguém de lá de dentro, que acabou de chegar falando pode vir que tem espaço meu mano!

Tem que falar dessas coisas tudo porque tem gente que tá começando agora, que nem eu, e já tem que começar ciente que não é uma corrida muito menos disputa. A luz no fim do túnel somos nós mesmos, as crianças, nossos filhos, eles serão! Quero aproveitar que o povo mais novo agora está começando a curtir um rap e agarrar essa oportunidade pra eles ouvirem algo que faça pensar”, sintetizou O.R.

Por ser irmão do Leal, o O.R. teve a oportunidade de acompanhar o corre do irmão e de todos os moleques do PrimeiraMente por quatro anos, e foi nisso que ele se enxergou no palco, enxergou que era possível. “Estou no rap por consequência do destino, meu irmão começou no rap 4 anos antes de mim, eu acompanhava ele sempre que podia e fui curtindo o lance de me expressar na forma de versos. Sempre gostei rap gringo, tenho influências no funk também, mas nunca foi o que eu quis. No fim essa vivência de sempre colar, querer cantar, querer apresentar os moloques foi a brecha pra eu perceber que gostava do palco. Comecei a escrever em beat free e tamo aí até hoje!

E ele já começou com o pé direito, daqui pra frente a tendência só se mantém. E se tudo der certo, no mês que vem, já chega seu EP  de estreia “Altos e Baixos“.

Trecho da música
[Luto comigo pra não ser mais um piolho/ A mentira dói, igual cair shampoo no olho/ Brindando champagne! não é pra muitos é pra poucos/ Andando na linha certa pra não acordar no poço/ é só soco da vida pra aprender a acertar/ Até que eu precisei depois de tanto eu errar/ Eu cai com a cara na terra/ Tipo trampar sempre e ganhar a mesma merra]