O rap tem lado na política

Kl Jay, MV Bill, Lula, Gilberto Gil e Rappin' Hood

Inegavelmente que o Hip Hop desde os seus primeiros passos tem o seu poder de opiniões, de luta, de cobrança e de participação política através da cultura, mas ainda muitas pessoas não concordam que o rap deve se posicionar politicamente.

Troquei uma ideia com o Rapper W2 que faz parte da cena desde 1999 com início no grupo Vozes da Periferia, é representante da Nação Hip Hop Brasil/Núcleo BH, faz parte da diretoria do Fórum do Hip Hop de BH e foi candidato a vereador em BH no ano de 2020 tendo 1035 votos.

Wilson Wagner Brandão Ribas, tem 40 anos, sempre desenvolveu um trabalho voltado a crianças e adolescentes, é coordenador do projeto Casa do Hip Hop no bairro Taquaril e do coletivo cultural Aliança Cultural.

A campanha de W2 foi pautada no Hip Hop por acreditar que essa bandeira tem uma importância enorme na construção de uma cidade e que a cultura deve ter uma cadeira nos debates políticos. Infelizmente a eleição não foi vitoriosa, mas foi o candidato mais votado na sua região e o terceiro mais votado do partido, o PCdoB.

W2 afirma que o rap TEM que ter lado sim! Segundo ele, a história do rap já conta com suas posições e deve assumir um lado. Quando começou com o rap em 1999, W2 achava que política, religião e futebol não se discutiam. Com o passar do tempo, participando de alguns encontros, ele enxergou que a política precisa e deve ser discutida.

As letras do rap já traz um viés político social, que querendo ou não, te coloca em um lado, que é a esquerda.

W2

O rapper afirma que esquerda e direita não são coisas partidárias e atualmente acompanha mc’s e grupos de rap se posicionando com ideias de direita, ele acha que é o maior absurdo da contradição.

Acredito que em 2021 não é obrigação falar explicitamente nas letras sobre posições políticas. Com a evolução do rap até as formas de dizer mudaram. Tudo que envolve o Hip Hop, é necessário que haja uma responsabilidade social com todas as minorias possíveis que  diariamente tem que lutar pra continuar vivo.

Em 2018 alguns do que estavam em ascensão no cenário do gênero, se calaram com medo de perder público. Seria óbvio demais saber que o rap precisa de se posicionar, mas infelizmente tem acontecido de ver “fãs” de rap eleitores de candidato fascista.  

O rap tem lado, mas tem que assumir esse lado: Nós somos de esquerda!

W2