O RAP em alta: as performances de Karol Conka, Emicida e Planet Hemp no Lolla 2016

No último final de semana (12 e 13 de março) aconteceu no Autódromo de Interlagos a quinta edição brasileira do Festival Lollapalooza. Neste ano com uma line up mais diferenciada, mostrando que o rap está cada vez mais presente no gosto do público jovem e dando enfase para o estilo.

O Festival Lollapalooza já recebeu artistas como Racionais MC’s, O RappaCriolo Marcelo D2 durante suas cinco edições, porém, neste ano o rap chegou com os dois pés e mostrou o motivo de ser o gênero mais escutado no mundo. Com nomes como Eminem, Karol Conka, Emicida e até Snoop Dogg que cancelou seu show devido a problemas pessoais poucos dias antes do festival e foi substituído pelo Planet Hemp.

A line-up prometia apresentar mais desses artistas para um público que possivelmente não conhecia muito o trabalho dos mesmos. Confira um resumo com alguns vídeos do que rolou nas apresentações dos rappers brasileiros no Lolla 2016:

Karol “Mamacita” Conka

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Foto: Gazeta do Povo

Com o show marcado para o segundo dia do festival (13) e sendo um dos primeiros do dia (13h30), alguns estavam com expectativas de um baixa audiência, porém, mais uma vez, Karol mostrou que tem público fiel e provavelmente conquistou muitas outras pessoas. Posso afirmar que este foi um dos shows mais animados do festival neste ano. A artista havia divulgado anteriormente que traria música inédita e ainda um algo a mais para complementar sua apresentação, o que deixou a platéia ainda mais ansiosa por seu show, fazendo o espaço ficar completamente lotado.

Karol fez um showzaço com participação do público que cantava junto em todas as músicas. Além de trazer ainda mais energia ao tocar “Tombei” e trazer a MC Carol e Tchelinho para animar o público com “Toca na Pista“.

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Durante seu show também contou com a participação de seu amigo Tuty que cantou “Olhe-se“. Porém não deixou de lado a mensagem que sempre procura passar e teve discurso feminista sim!

Após o show, Karol conversou com o RND e disse que ficou muito feliz com o resultado do mesmo e que já esperava uma apresentação fervorosa, pois sempre conversa muito com seu público através das redes sociais. Também falou sobre o espaço que o RAP vem conquistando nestes festivais e disse achar “fantástico e justo“.

Para fechar perguntei sobre como foi ser a primeira MC no Lollapalooza, Karol disse estar confiante que nos próximos anos terão mais mulheres MCs no festival, afinal este vem sendo um ano bastante relevante para as mulheres no RAP, com lançamentos importantes, como o disco da Yzalú e o EP da Ju Dorotea.

EMICIDA

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Com o show marcado para as 19h30, mesmo horário que o projeto Jack U da dupla de DJ’s e produtores Diplo e Skrillex — que inclusive levaram Mc Bin Laden ao palco para apresentar o hit “Tá Tranquilo, Tá Favorável” —, Emicida e banda tinham a missão de fazer um show versátil que conquistasse um público novo e diferente.

Leandro montou um time pesado e trouxe para o palco diversas participações como: MC Guimê, Coruja, Drik Barbosa, Rico Dalasam, Muzzike, J. Ghetto e Rael da Rima.

A missão do rapper foi concluída com êxito, o show foi conduzido de modo que não deixou a energia cair em momento algum e apenas levantou o público cada vez mais tocando seus hits mais radiofônicos, porém outras musicas com roupagem diferente como “Rinha” também foi responsável por erguer vários braços pro alto e mostrou que o RAP vem contagiando cada vez mais um novo público.

Emicida cantando “Cabelo Arrepiado“, do Mc Lon:

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Apesar de trabalhar para fazer um show diferente, Emicida em momento algum deixou de passar a mensagem. Utilizou de uma das cenas mais importantes do cinema nacional do filme “Ó Paí ó” de Lazaro Ramos antes de tocar “Boa Esperança”, assista:

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O rapper também falou sobre a importância da população nordestina que ergueu a cidade de São Paulo além de dedicar o show ao mestre Naná Vasconcelos que havia nos deixado na semana anterior (9 de março), “Naná Vasconcelos nos ensinou a ouvir o Brasil” disse.

Após o show conseguimos conversar com DJ Nyack e Emicida. Nyack acreditou que o público presente estava realmente querendo conhecer melhor o trabalho do artista, o objetivo era criarem um show de uma hora que não tivesse nenhum momento alto ou baixo e mante-lo bem para cima. Perguntado sobre o espaço que o RAP vem conquistando nos festivais o DJ disse que acha que isso é fruto de um trabalho feito a mais de 30 anos pela cultura em geral, artistas como Thaíde, Racionais e com a crescente que vem ocorrendo, este é um processo que seria inevitável.

Ao conversar com Emicida falamos sobre o processo de desenvolver um show diferente, poder criar de uma maneira nova, porém trazer uma mensagem e fazer isso com um grupo de amigos. Emicida disse achar incrível poder produzir algo que vem de seu coração e que tantas pessoas tomam para si. Para finalizar falamos sobre o espaço que o RAP teve no festival e Leandro disse:

Estamos fazendo a ‘Reforma Agrária’ da música brasileira, apenas estamos dominando um território que nos foi tirado em outro tempo e que nunca deveria ter deixado de ser nosso.

Planet Hemp

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Foto: G1

Substituto de última hora para Snoop Dogg, o Planet Hemp entrou no palco Axe no momento mais quente e levou todo seu punk rock num show cheio de ‘legalize’ e criticas ao atual cenário da política brasileira. “Que dia é esse? Esquerda e direita, quem vai roubar mais? Quem vai nos enganar?“, falou no mic Marcelo D2, ao lembrar das manifestações deste domingo, antes de tocar “Futuro do País“.

Planet cantando “Mantenha o Respeito“:

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Infelizmente não conseguimos trocar uma ideia com o Planet Hemp devido ao mal tempo junto ao horário de condução pra volta.

Pra fechar, podemos dizer que o Festival terminou em alta para o RAP, todo o destaque que recebeu foi comprovado em cima dos palcos e pela audiência.