Du Efex lança “Du Barraco Pá Espaiá” e reforça a importância de manter o boom bap vivo.

Em entrevista exclusiva com o RND, o rapper falou sobre o novo álbum e o que espera transmitir através dele

Cria do rap desde os anos 90, Du Efex acaba de lançar seu primeiro disco solo. O álbum intitulado “Du Barraco Pá Espaiá” conta a trajetória e a evolução do artista da Zona Leste de São Paulo e reforça a importância de manter o boom bap vivo. Em entrevista ao RND, o MC contou sobre o processo criativo do disco e as dificuldades de se manter no rap durante tantos anos.

RND: Você está no rap há mais de 20 anos, como é lançar o primeiro disco solo depois de tanto tempo?

Du Efex: “Desde que comecei a fazer rap eu penso nesse disco. Algumas das músicas foram escritas há mais de 10 anos, mas neste processo todo eu acabei me dedicando aos grupos que fiz parte e fui deixando a carreira solo de lado. Paralelo a isso, tem a questão dos recursos, conheço muitos MC’s que estão há mais tempo no rap do que eu e ainda não tiveram a oportunidade de fazer seu álbum. Eu nunca quis fazer por fazer, até poderia, mas levo o rap muito a sério para colocar qualquer coisa na rua. Hoje, mais preparado e seguro do meu trabalho, resolvi canalizar toda minha energia ao “Du Barraco Pá Espaiá”.

RND: Você disse que algumas músicas foram escritas há muito tempo, houve uma reformulação das letras?

Du Efex: “Sim. O tempo passou, as coisas mudaram e algumas das letras não faziam mais sentido. Acho que a arte é isso, ela pode ser atemporal como mutável. Tem letras que narram coisas que eu vivi no inicio, tem letras que eu precisei mudar, pois não acredito mais naquilo que cantava, principalmente as que poderiam reproduzir algum preconceito.”

RND: Vimos que no álbum você tem a colaboração de grandes nomes do Hip Hop, como se deu esta escolha?

Du Efex: “Todas as pessoas que fazem parte do meu álbum são pessoas que eu admiro, Luiz Preto e Tico QDP são meus parceiros, não faria sentido soltar um trabalho sem eles! Dj RM, que é quem assina as colagens, é um dos nossos melhores Dj’s do Brasil. O Lê Dread, do Kafofu Records, é quem fez toda produção, é um cara extremamente profissional que sempre trabalhou comigo, e não seria diferente agora.

RND: Como surgiu o convite para o Raphão Alaafin e o DJ Mayk do “Terceira Safra” participar do seu disco?

Du Efex: “Raphão uma vez deu a ideia de fazer um som comigo, mas no rap isso é muito comum e nem sempre rola mesmo. Quando estava dedicado em trabalhar no disco eu lembrei do dia que ele me falou isso, então resolvi fazer o convite. O Mayk foi a mesma coisa, fiz o convite e eles aceitaram de imediato. É uma honra trabalhar com pessoas que você admira e o rap tem o poder de fazer isso.

RND: Recentemente você lançou um videoclipe sobre um assalto do quadro do Basquiat. Qual mensagem você quis passar?

Du Efex: “Lancei o clipe da faixa “Especialista”, ela está no álbum também. A ideia foi pensada por mim, minha companheira e a produtora Black Pipe Entretenimento que foi quem fez toda a produção audiovisual. Na letra, eu falo de um assalto que não deu certo, mas no clipe, eu quis fazer estilo o filme ‘11 Homens e um segredo‘, a ideia é o espectador achar que o assalto não deu certo e que todo mundo foi preso, mas na verdade eu escapo e o que eu queria roubar mesmo não era o dinheiro, mas sim o quadro do Basquiat, que é um artista negro. É como no Filme ‘Panteras Negras‘, quando as estátuas são roubadas pelo Killmonger, ele rouba o que é do povo dele . As obras do Basquiat deveriam estar em posse daqueles que ele quis representar, os homens negros. É por isto que no clipe eu termino roubando o quadro Flash, do artista.

RND: O que podemos esperar do álbum “Du Barraco Pá Espaiá”?

Du Efex: “Pode esperar o bom e velho boom bap! Nada contra os de mais estilos, mas eu sou cria do Rap, um dos pilares da cultura Hip Hop, que é uma ferramenta política e social. Acho que o disco já fala o que eu espero. Eu quero que minha mensagem espalhe, do meu barraco pro mundo.”

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