Ardlez junta-se a slashrr e .enzo no lançamento de “Teto Preto”, confira:

Que dentro do underground existem artistas produzindo obras grandiosas e ambiciosas não é novidade. Mas o que acontece quando juntam-se três dessas talentosas jóias da cena musical nacional? Bem, o resultado é uma peça da mais alta qualidade e excelência no que pode-se encontrar dentro da música.

Tal evento que me refiro, é o primeiro lançamento em 2020 da curitibana, Ardlez, o single “Teto Preto“. Com uma parceria firmada com os produtores .enzo e slashrr, a faixa é, segundo a própria cantora, um manifesto sonoro próximo do pós-rap e R&B. Talvez essa seja uma das melhores definições que possa se chegar ao o que é esse som, que vai além dos aspectos puramente técnicos. Porém, antes de compreender toda essa empreitada cheia de autotune e synths, precisamos entender a importância que os produtores tiveram nesse trampo.

A dupla integrante do coletivo Lost Boys em 2019 foi responsável por junto de Rodrigo Zin, criarem um dos melhores álbuns lançados no passado,o “Grana Azul“. Dessa vez eles aliam todo seu conhecimento vasto e influências, com a lírica imagética e visceral de Ardlez, somando suas individualidades de maneria coesa e equilibrada.
slashrr faz com que a linha que separa o orgânico do eletrônico seja algo bem tênue, ao distorcer as sonoridades dos instrumentos e fazer com que os sintetizadores soem com naturalidade. Tudo isso forma um paradoxo musical que mesmo dentro de uma estética futurista, parece muito palpável e humano para o ouvinte.

“Em “Teto Preto” por exemplo eu busquei isso através dos timbres de flauta que surgem picotados e distorcidos no meio da música, quebrando a expectativa do timbre natural do instrumento, também busco isso através da manipulação de outros dos vários sintetizadores que respiram em meio ao instrumental.” (slashrr)

Mais do que um exímio conhecimento técnico, .enzo demonstra uma aproximação muito grande com a arte que ele produz. Enquanto cantores transmitem suas sensações pela escrita, o produtor usa os “fonemas indecifráveis” da melodia para transmitir sua mensagem. Nesse caso ele transferiu toda sua carga emocional para a ambientação da faixa, vagando entre o mecânico e um som mais cru. A música é o futuro e o agora e “Teto Preto” vem do amanhã.

“Tudo que eu faço é o que eu sinto que eu sou. É minha forma de mostrar o que tem dentro da minha mente e o que eu tenho pra dizer. Eu só tento compor o que eu sinto dentro de mim, usando melodias e acordes como frases e palavras, sons como desabafos e instrumentos como voz.” (.enzo)

Não é atoa que os dois possuem trabalhos com artistas como Pablo Vittar, Tuyo e Bhaskar.

Como mencionado anteriormente, Ardlez é uma das melhores no quesito de transformar tudo que escreve em imagens. Quando não expressa-se explicitamente, a artista consegue organizar um conjunto de palavras certas que vão fazer sentido dentro de sua proposta. Tudo isso num fluxo de consciência constante e instintivo, na mais pura exposição do subconsciente. As letras saltam e ganham vida quando encontram-se com as percepções do ouvinte, pois casam com as sensações e vivências de Ardlez. Seus questionamentos sobre seu trampo, a maneira com que o produz e toda incerteza que assola a existência de todas se faz presente, sendo um convite para uma abertura para a vulnerabilidade.

Em comemoração ao lançamento do single, Ardlez também disponibilizou um pack gratuito (Ardlez Sample Pack) para produtores musicais e beatmakers com que contém mostras manipuladas, selecionadas a dedo ou criadas pela artista, com o intuito de disseminar as práticas de produção musical.

Mais do que hype,a faixa é um som feito de pureza e que possui uma força imensa, então não deixa de conferir “Teto Preto“, de Ardlez, .enzo e slashrr.