Analise do VMB 2012

O VMB passou, mas ficou muitas coisas para analisarmos, entre premiados e apresentações modestas, outras péssimas e algumas (Projota, Emicida & Racionais) que salvaram a premiação e minhas 4 horas frente a televisão, encontrei uma análise que realmente disse tudo que eu, os outros administradores do portal e certamente todas as pessoas de bom senso pensaram sobre a tal festa, quem a fez foi o REGIS TADEU que por sua vez postou em seu blog NA MIRA DO REGIS com o titulo “MTV fez do VMB 2012 um desfile de horrores”.

Visite o blog NA MIRA DO REGIS, muito bom por sinal.

Confira abaixo a análise:


Escrito por Regis Tadeu

Para muita gente, incluindo quase todo mundo que trabalha no meio jornalístico musical/cultural, o que aconteceu ontem foi o último VMB da MTV. Mais que isto: foi a última festa da MTV. O último evento, o “canto do cisne” de suas premiações.

Não vou entrar em detalhes aqui a respeito do quanto esta história é verdadeira. Até porque seria leviano de minha parte escrever algo a respeito de um assunto do qual eu não tenho todas as informações. E também não é este o intuito deste texto. Minha intenção é outra…

Acontece que eu recebi uma quantidade absurda de pedidos de leitores e internautas para comentar o tal “VMB 2012”. Tenho certeza que a maioria destes pedidos veio por conta da estupenda receptividade que o texto que escrevi dias atrás, “Prêmio Multishow celebra a cretinice nacional”, que você pode ler aqui. Todo mundo ficou babando para que eu descesse a lenha com igual ferocidade e acidez na premiação da MTV.

Para começar, não tenho o menor respeito por premiações que levam em consideração apenas os votos do público, principalmente quando este mesmo contingente de descerebrados tem a oportunidade de votar quantas vezes quiser. Não sei se você sabe, mas quase todos os “ganhadores” deste tipo de picaretagem contrataram empresas de telemarketing para obter os votos necessários para a “vitória”. Tão simples quanto eficiente e desonesto…

As entrevistas que antecederam ao show foram aquela nulidade de sempre — uma tradição que a MTV insiste em preservar. Para piorar, alguém precisa avisar a Tata Werneck que ela, ao contrário da divertida Dani Calabresa, está muito longe de ser uma menina engraçada, que a tal de “MariMoon” precisa deixar de se fantasiar de charrete de cigano e que tal de “Didi” é praticamente o vencedor do prêmio “Personagem Mais Asqueroso da História da TV em Tempos Recentes”.

O início do programa já foi um anticlímax, com dois sujeitos brincando perigosamente com fogo dentro de um recinto fechado — alô, bombeiros! -, um monte de caras andando de bicicletas, patinadores e outros usando agasalhos durante a apresentação do onipresente Marcelo D2. Se a MTV buscou com isto a sua identificação com o que rola nas ruas, chegou muito atrasada e já falhou miseravelmente logo de cara. Para piorar, havia buracos imensos na plateia, que demonstravam que não há tanta claque disponível querendo aparecer na MTV no mercado de hoje, ao contrário do que acontecia no passado.

O clima não ficou mais animado com a presença de Criolo — um sujeito que parece se sentir desconfortável até quando está sozinho dentro do quarto — apresentando o prêmio “Revelação”. Agora, o inacreditável é ver que a MTV realmente não consegue se conectar com a realidade. Como pode colocar apenas três candidatos — sendo um deles o Rancore!!! – para disputar este prêmio em tempos tão repletos de gente talentosa fazendo ótimas músicas? Simplesmente inacreditável.

Bem, não dá para dedicar um mínimo de seriedade a uma premiação que dá ao tenebrosamente ruim Vanguart o título de “Melhor Banda”, principalmente depois de os caras lançarem um dos piores discos dos últimos tempos, Boa Parte de Mim Vai Embora, com vocais tão desafinados que levariam uma manada de rinocerontes ao suicídio coletivo. Mas sabe como é, né? “Votação popular” tem destas coisas…

Incompreensível também é entender como Karina Buhr não consegue cantar qualquer uma de suas músicas dentro do tom, ainda mais tendo uma ótima banda de apoio, com destaque para o sempre talentoso Edgard Scandurra na guitarra. Deve ser algum tipo de “encosto” ou possessão demoníaca que leva Karina não apenas a desafinar horrores, mas também a se movimentar no palco com a graça e a sensualidade de um trator com os quatro pneus furados. Deu para ver que ela tentou ser uma versão feminina do Iggy Pop, mas acabou parecida com a Dani Calabresa entupida de vodkafalsificada.

A obsessão com o “povo das ruas” fez com que o internacionalmente conhecido skatista brasileiro Bob Burnquist se submetesse ao vexame de ter de apresentar o prêmio “Melhor Artista Internacional” tendo como concorrentes aberrações como Justin Bieber, One Direction, Nicki Minaj, Kate Perry, Demi Lovato e outras aberrações. O troço deveria mudar para “Artista com o Fã-Clube Mais Chato a Levar a Família à Falência Financeira de Tanto Usar o Telefone para Votar em Prêmios Imbecis”, já que estas meninas não sabem sequer soletrar a palavra “telemarketing” e muito menos pagar por tais serviços com suas próprias mesadas. Para coroar a patetice com galhardia, o troféu do vencedor — no caso, o One Direction, também conhecido como “Cada Geração Tem Os Menudos, New Kids on the Block e Backstreet Boys que merecem” — foi recebido, acredite se quiser, por cinco meninas do fã-clube dos caras, que foram bastante vaiadas pela plateia de maneira tão infantil quanto elas.

Depois da apresentação do tal Agridoce, na qual Pitty assassinou uma bela canção dos Smiths, “Please Please Please Let Me Get What I Want” cantando totalmente fora do tom — nem mesmo o coral de meninas fantasiadas de Morrissey ao final salvou a interpretação -, a ainda gostosa Daniella Cicarelli tentou fazer humor de forma canhestra antes de premiar Criolo como “Melhor Artista Masculino”, que recebeu o seu prêmio com a cara de sempre — uma espécie de versão ‘deprê’ do Seu Madruga -, mas usando de ironia para denunciar os estranhos incêndios em favelas que andam rolando em São Paulo, coisa que eu também ando desconfiado de que tem gente graúda e criminosa do ramo da especulação imobiliária por trás disto.

Depois da premiação da pavorosa capa do disco da Gaby Amarantos, quando a “artista” subiu ao palco com a fantasia “Periquito Luminoso no Reino dos Morcegos Comedores de Geleia de Jabuticaba”, Emerson Sheik e Helio Flanders, do Vanguart, tentaram rivalizar com Ivete Sangalo e Paulo Gustavo no quesito “Dupla Constrangedora na Hora de Comandar Premiações” antes de chamar ao palco o bom som do Projota e as rimas gritadas em cima de bases miúdas do ConeCrewDiretoria.

Se alguém tem alguma dúvida que a MTV está no fim, ela se dissipou com a escolha do pavoroso grupo O Terno como vencedor na categoria “Aposta”. O som dos caras é tão ruim e mal cantado que o prêmio neste caso deveria trocar seu nome para um termo bem parecido, se é que você me entende… Inacreditável foi ver que, na hora da entrega do troféu, um zé-mané metido a playboy, vestido com um blazer de ‘mauricinho’ e completamente bêbado, subiu ao palco com a banda. Alô, segurança! O que vocês estavam fazendo nesta hora? Jogando truco?

Uma tortura extra foi ter o Brothers of Brazil — dupla formada pelo gaiato Supla e seu irmão João “carisma zero” Suplicy — tocando trechos das canções indicadas ao troféu “Melhor Música”. Curiosamente, houve um empate entre “Com a Ponta dos Dedos”, do Wado — que não largou seu copo de plástico com uísque nem na hora de subir ao palco -, e a ótima “Dedo na Ferida”, do Emicida, que também fez questão de citar o lance dos incêndios nas favelas. Vai ver que a presença da palavras “dedo” e “dedos” causou o empate, né? Sei…

E já que o Emicida estava por ali e havia recebido seu prêmio, ele logo subiu ao palco e fez um dos poucos shows dignos de elogios na noite, apresentando a canção ganhadora com ao auxílio de uma ótima banda de apoio: o batera Iggor Cavalera — quase irreconhecível por conta de seus MUITOS quilos a mais -, o guitarrista Lúcio Maia, da Nação Zumbi, e o baixista Joe, da banda da Pitty.

Pena que a seguir a esculhambação continuou com a presença da dupla João Lucas & Marcelo que, junto com o personagem “Detonator”, trouxeram mais uma cascata de ‘vergonha alheia’ com uma versão pretensamente metal da ridícula “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha”. Depois, apresentaram o troféu “Hit do Ano”, cujo vencedor foi o Restart e seu fã-clube de crianças débeis mentais, vaiados como de praxe – mais uma “vitória” do mundinho fofinho de pelúcia, né? O mais divertido foi ver o “mimimi” do tal de Pê Lanza e o tal “playboy bebaço de blazer” invadindo o palco novamente, sendo retirado por um casal de seguranças. Fuleiragem em grau “master”!

Depois que Gaby Amarantos ganhou como “Melhor Artista Feminino”, qualquer esperança de se ver algo decente na premiação foi por água abaixo, sentimento agravado com a nauseante apresentação do Bonde do Rolê com Karol Conká, Nem mesmo Gal Costa, cada vez mais parecida com o Robert Smith, conseguiu trazer um alento com o seu novo som eletrônico.

Então nada se aproveitou aqui? Não, teve coisas legais. Juntamente com o Emicida já citado, as apresentações do Planet Hemp — reunidos depois de uma década de inatividade — e dos Racionais MC’s trouxeram a dignidade sônica que uma premiação de gabarito merece. Mas foi muito pouco para derrubar completamente as suspeitas de que a MTV está com seus dias contados aqui no Brasil.

Fonte: Na Mira do Regis