Afrika Bambaataa é acusado de abusar sexualmente de menores

Se as coisas não estão sendo fáceis para o Brasil neste mês de Abril, para Afrika Bambaataa idem. O fundador do Zulu Nation e pioneiro do Hip-Hop sofreu sérias acusações de ter abusado sexualmente de jovens no início da década de 80, época do seu auge.

A história iniciou-se quando Ronald Savage (cerca de 50 anos hoje) lançou o livro “Impulse Urges and Fantasies” que inclui alegações tenebrosas sobre Bambaataa ter abusado sexualmente do autor quando ainda era menor de idade.

Falando para o site New York Daily News em um extenso relato divulgado no dia 9 de abril, Savage (também morador do Bronx/NY) deu detalhes sobre suas memórias daquela época. De acordo com Savage, o ícone do hip-hop abusou sexualmente dele quando tinha 15 anos de idade e isso deixou sérios problemas relacionados a sua intimidade que acarretaram em algumas tentativas de suicídio. “Eu quero que ele saiba o quanto ele danificou meu crescimento“, diz Savage ao Daily News, que na época fazia parte da Zulu Nation (organização internacional de hip-hop fundada na década de 1970.

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Ronald Savage descrevendo o fato para o NY Daily News

Savage disse que está falando agora porque quer mudar a lei relacionada a abusos sexuais de Nova York, que prescreve crimes de abusos a menores após os jovens completarem 23 anos de idade. “Eu acho que o estatuto de limitações é injusto para as vítimas”, diz ele. “Levei todos esses anos para falar sobre isso. Eu estava envergonhado. Eu estava envergonhado.

Ronald Savage afirma que Bambaataa abusou sexualmente dele pelo menos cinco vezes. A primeira vez ocorreu no apartamento de Bambaataa (com 23 anos na época) onde o DJ acariciou a si e a ele, em seguida, convidou outro homem a se juntar. O segundo incidente Savage diz que Bambaataa ordenou para que fizesse sexo oral com um membro mais velho da Zulu Nation.

Após o relato de Savage, já no dia 12 de abril, Afrika Bambaataa se pronunciou através da Rollingstone afirmando que as acusações impostas por Savage “são infundadas e são uma tentativa covarde para manchar minha reputação e meu legado no hip-hop“, confira na íntegra:

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Eu, Afrika Bambaataa, quero aproveitar esta oportunidade no conselho de meu advogado para negar pessoalmente quaisquer e todas as alegações de qualquer tipo de abuso sexual. Essas alegações são infundadas e são uma tentativa covarde para manchar minha reputação e legado no hip-hop neste momento. Este ataque negligente no meu personagem não vai me impedir de continuar minha batalha e levantar-se contra a violência em nossas comunidades, a violência na nação e a violência no mundo.

Em nome da Força Suprema, que é chamada por muitos nomes, na qual todos os louvores são devidos. Eu oro por todos vocês e peço que retornem suas orações, e vamos fazer o que é preciso para ajudar a mudar nossa maneira de como tratamos na maldade uns aos outros, precisamos respeitar e amar uns aos outros como seres humanos. Que a Paz e as benções estejam com todos e cada um de vocês. Quem irá levantar-se para nós e o nosso planeta em meio a tanto caos acontecendo? Paz, amor honra e respeito para salvar a todos.

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E as acusações não pararam por ai, já neste domingo (17) — aniversário de 59 anos do Afrika — mais três homens acusaram Bambaataa de abuso sexual naquela mesma época.

A primeira acusação é de Hassan Campbell, de 39 anos, que alega que o fundador da Zulu Nation tenha abusado sexualmente de sua pessoa várias vezes quando tinha a idade de 12 e 13 anos. “Ele tinha a casa mais divertida do mundo. Havia celebridades lá, músicos, heróis da vizinhança. Foi o melhor lugar para ser – e o pior lugar para estar”, diz Campbell, que afirma que costumava frequentar a residência de Bambaataa no Bronx na década de 1980. Ele é um pervertido, ele gosta de meninos.” acrescenta.

Um segundo homem, com mais de 50 anos vivendo em New York, que preferiu ficar no anonimato, também disse ao New York Daily News que Bambaataa abusou dele. “Eu sei que o que Ronald Savage está dizendo é verdade, porque ele também fez isso comigo” disse o homem.

Além disso, um terceiro individuo do sexo masculino chamado Troy também relatou ao site de noticias de NY que Bambaataa abusou dele. “Eu ainda tenho muita raiva sobre isso”, disse Troy, que agora vive na Carolina do Norte. “Eu tenho lidado com isso por anos. É uma pena que esses relatos não sairam mais cedo”.

Continuando, Troy descreve: “Ele me mostrou um livro com uma imagem de um pênis e disse: ‘Você não tem que ser gay para chupar um pa*’

De acordo com os relatos dos 4 indivíduos, Afrika Bambaataa teria inicialmente mostrado fotografias e vídeos pornográficas e, em seguida, realizado sexo oral neles.

O advogado de Bambaataa, Vivian Kimi Tozaki, foi procurado pelo NY Daily News e não retornou aos pedidos de comentário sobre as novas alegações. Mas, anteriormente ele negou o relato de Savage em um comunicado divulgado na semana passada.