“Carta pra Amy”, de Gustavo Black Alien, ganha clipe sincero e sensível

Na última quarta (11/11), Gustavo Black Alien lançou o clipe de “Carta pra Amy”, segunda faixa de seu terceiro disco “Abaixo de Zero: Hello Hell” lançado em abril do ano passado.

Com direção de Gabi Jacob e produção de Dois Mais Filmes, conta com a atuação visceral de André Ramiro, ator e rapper conhecido por filmes como Tropa de Elite (onde interpretou o policial André Matias), e por seu álbum “Crônicas de um Rimador” (onde inclusive convidou o próprio Black Alien na faixa “Não foi à toa”, em 2012).

Percebendo que “Carta pra Amy” é uns dos sons mais tocantes e bem aceitos desse álbum ilustre, Gustavo Black pensou uma obra audiovisual que ilustrasse exatamente a temática intensa e sincera da música – sua vida e vivência, antes submersa nos vícios em droga e álcool e, desde então, nos desafios e nuances da sobriedade. O nome da faixa faz referência e homenagem à cantora Amy Winehouse que, além de seu brilhantismo, também teve uma carreira marcada pelas recaídas e batalhas dos vícios.  

Começando com “Lá vai o maltrapilho bem vestido, mulambo perfumado”, a canção apresenta um cenário de como Gustavo levava a vida e, quem já pôde ver de perto uma história similar de instabilidade, consegue captar a emoção e angústia interpretada por Ramiro. Junto a um beat cativante mas intimista, as cenas na imensidão amedrontadora do mar, e na reclusão da própria casa e de si mesmo, mostram a dificuldade do adicto em se fazer presente em atividades comuns, assim como seus picos de energia (positivos e negativos).

Mas mesmo que as pessoas que têm essa familiaridade e sensibilidade com a história se emocionem, provavelmente não saberiam contar sobre o desafio de lidar com a própria – e difícil – companhia de um jeito tão fiel como Gustavo o faz, já que o processo de recuperação e reabilitação é vivido de forma individual. Invariavelmente, mesmo com pessoas próximas e profissionais estando ao seu lado, a grande responsa continuará toda consigo.

“Não posso correr de mim mesmo, eu sei
Nunca mais é tempo demais
Baby, o tempo é rei”

E, por isso, emociona tanto ver o MC mais atual que nunca, afiado e elegante, rimando sua história mas sob a ótica de uma nova aurora. Mudando as páginas da vida, a imensidão do mar agora não é mais sinônimo de afogamento mas sim de emergir e sobretudo ir aprendendo a se manter firme entre as ondas e fases de si e do mundo. É retomar a carreira, o vigor, o protagonismo na própria vida, é desamassar os papéis jogados e reavaliar as prioridades. A “lição sem vinho tinto” é mil grau, e a nova urgência é estar no agora – “Nem mais um instante sem o som e a fúria”.

Do clássico absoluto “Ano do Macaco“, passando pelo divisor de águas “No Princípio Era o Verbo” e chegando no atual “Abaixo de Zero“, quem acompanha o Mister Niterói com certeza foi atravessado por essa obra de tirar o fôlego – ou melhor, de devolver o fôlego a quem precisa. O rap agradece e respira.

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