Gurila Mangani e Matéria Prima juntos em “Prisma”, confira:

Uma região não torna-se prolífica na produção cultural de um dia para o outro. São necessários caminhos a serem percorridos e pessoas dispostas a pavimentar toda essa estrada, que inicialmente não apresenta-se com os frutos e sim um horizonte cheio de obstáculos. Alguns corajosos juntam as pedras no caminho e as transformam em castelos. A construção que falamos aqui é Belo Horizonte, talvez a cidade brasileira com a maior produção de talentos no rap nacional. Um dos nomes que deram os primeiros passos da jornada foi Gurila Mangani, MC, produtor, selecta e artista visual.

Dividindo sua criação entre as ruas de BH e Santa Luiza, Gustavo (Gurila) é um dos pioneiros da cena underground da cidade mineira. Envolvido com a cultura hip-hop desde 2001, o artista junta qualidade, experiência e conhecimento, que acumulados resultaram no lançamento de seu álbum “AMOSTRA“, em 2009. O trampo resultou em indicações aos novos nomes da MTV e ganhando os prêmios Uirapuru de Música Brasileira e Prêmio Mixórdia, ambos com a escolha do público. Idealizando o selo independente, Sindicato Indie, trabalhou com nomes como Simpson Souza, Coyote Beats, Nil Rec e Doug Now. Além disso, entre produções, colaborações e remixes, já trabalhou com Speed Freaks, De Leve, Matéria Prima, Clara Lima e muitos outros artistas.

Agora, Gurila une suas facetas em seu último lançamento. A faixa, intitulada “Prisma“, contou com a participação de Matéria Prima e uma produção toda pelas mãos de Mangani. Como definido pelo título, a faixa é literalmente uma reflexão sobre o rap e sua influência pessoal na vida dos MC’s e como a arte tem seu propósito que vai além do mercado musical e sua capitalização.

Um prisma é um elemento dos estudos físicos relativos às radiações luminosas e aos fenômenos da visão. Feito geralmente de vidro, pode ser usado para separar a luz em suas cores do espectro ou para refletir a luz ou ainda dividi-la em componentes com diferentes polarizações. A relação construída na música com o objeto, serve tanto para falar das criações como de seus criadores. A luz, seria a inspiração, nascida de maneira crua e sendo percebida de maneira instantânea e nem sempre bem definida. A forma geométrica, o MC por onde a luminosidade chega de forma bruta e neste lugar ela consegue receber um direcionamento. Assim como o prisma, o rapper possui diversas “funções alternativas”, pode simplesmente compartilhar esta luz, mantendo sua naturalidade ou manipula-la do jeito que desejar. Independente do que escolha, os dois são transparentes e perpassarão suas manifestações.

Tudo relacionado às expressões artísticas e suas consequências são definidas por escolhas sutis. A ética de seu trabalho, sua identidade e estética, tudo isso vai definir onde seu trabalho chegará. Gurila aqui escolher ser verdadeiro, respeitando da melhor maneira possível a cultura que ama e representa, o hip-hop. Com essa missão estabelecida, “Prisma” tem sua parte introspectiva norteada pelos versos de Gustavo. Enquanto isso, Matéria Prima fica responsável por uma construção mais concreta, quase que numa crônica cotidiana.

O processo de arte é feito por meio da troca entre artista e ouvinte. Mas engana-se que quem pensa que é um movimento unidirecional, na verdade trata-se de uma retroalimentação constante. Na posição de MC, Matéria Prima faz a imagem de um rolê pela cidade, onde a única companhia são os fones. Mesmo nas áreas mais perigosas, a aura musical o dá segurança para enfrentar o selvagem dia a dia. Apesar de ser o vetor principal da sonoridade, o rapper também sente o refresco da identificação e representatividade concebido pelo rap.

Prima” é a multifacetada representação da música, vida e personalidade. Confira:

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