RND Entrevista: Rashid – “Tão Real”

Rapper paulista lançou seu último trabalho dividido em três partes

No último dia 22, o rapper Rashid lançou a terceira temporada do seu novo álbum intitulado “Tão real“. Quando foi lançada a primeira parte, em setembro do ano passado, as palavras sumiram na hora de escrever sobre o álbum. Hoje, alguns meses depois, e com o álbum todo nas pistas, eu ainda não encontrei a melhor maneira de escrever sobre este trampo.

Quem acompanha o Rashid desde o início consegue entender o que “Tão Real” significa (e se você não acompanha, vai lá nos trampos antigos e dá um confere também). O álbum ultrapassa e muito as linhas da música, e quebra a famosa “quarta parede”, que se usa muito no teatro para falar do espetáculo e do público.

Ao ouvir o álbum completo se pode chegar a uma conclusão: esse álbum é do Michel, e não do Rashid!

Faixa por faixa, nas três partes do trabalho que foi lançado em ‘temporadas’, como uma série do netflix, é possível sentir que “Tão Real” é totalmente diferente do que foi os outros trabalhos de Rashid, mas sem perder a qualidade, muito pelo contrário, é um trabalho que conversa contigo em todos os momentos.

Famoso pela lírica afiada, referências e o conteúdo de seus sons – até mesmo nos que falam de amor-, acho que as pessoas que diziam em meados de 2008, 2009 que era moda, hoje se arrependem profundamente.

Mais que isso, o nome Rashid inspira toda a nova geração, porque realmente, desde “Hora de Acordar” o rapper só vem concretizando cada vez mais seu nome na cena, e é um dos pilares que ajudou a construir o que o rap se tornou hoje em dia.

Após seis trabalhos solos, além de um ep colaborativo com o rapper Kamau, o álbum “Tão Real” chega como uma água transparente, nos revelando o mais profundo do Michel, de uma maneira que me atrevo a dizer e com todo o respeito a saga de “Diário de abordo“, nós nunca vimos antes.

Além do álbum lançado em partes, o rapper também soltou documentários e podcasts a parte, mostrando ainda mais das dores, frustrações (como o cancelamento do show no Lollapalooza) e vitórias do ser humano que está por trás do artista que vemos nos palcos e nos clipes.

Com 18 faixas e 70 minutos, a obra é um trabalho completo, com participações muito bem escolhidas e que estabelece uma relação com o público de uma maneira incrível.

Para entender mais sobre este projeto e sobre a carreira, conversamos com o próprio Rashid, confira:

RND: Como surgiu a ideia de lançar “Tão real” dividido em três temporadas como se fosse uma série? Já nos primeiros planos você já tinha em mente a ideia do documentário? Como colocou todas as ideias em um projeto só?

Rashid: No ano passado tiveram muitos lançamentos no Rap, então estava um “trânsito” para chegar nos ouvidos do público. A ideia de dividir em três partes veio da necessidade de ser ouvido.
Eu falo algumas coisas fortes neste disco, algumas coisas bem pessoais, inclusive.

Tem muita coisa ali que eu precisava que as pessoas escutassem, então a gente procurou um jeito de realmente conseguir a atenção das pessoas. Dividindo em 3 pedaços de 6 músicas cada e embrulhando com essa parada de ser uma série.


Já tínhamos um documentário sendo preparado, mas quando surgiu toda essa estratégia, resolvemos transformar numa série audiovisual também, para que fosse mais um braço desse universo Tão Real.

RND: Todas as suas músicas falam com o público apresentando um Rashid, mas em “Tão Real” você apresenta o Michel, com dores e falhas, mostrando o lado humano do MC. Como foi a produção desse trabalho ?

Rashid: Esse disco representa uma conversa comigo também. Um diálogo sincero em que tiro a capa do herói (do artista) para trocar uma ideia. Daí vem o título.

Não tô me vangloriando tipo “Olha o quanto eu sou real”, na verdade, é para mostrar que eu sou real também, assim como todos os artistas que nós admiramos.

As bolhas muitas vezes são perigosas e, nós artistas, vivemos numa outra bolha particular onde muita gente confunde a própria personalidade com o mito criado. Mas todos somos tão reais aqui quanto o público lá fora. 
Esse álbum trata bastante disso, além do lance de olhar pra rua, enxergar o mundo real.

RND: Uma das coisas que mais me surpreendeu no disco foi você soltando um palavrão na primeira e na última faixa, desconstruindo aquele Rashid que não xingava nas letras. Você até explica nesta última temporada que poderia haver um receio inconsciente de fazer uso de palavrão, como chegou neste momento em que você se sente bem ao colocar palavrão nas letras?

Rashid: O palavrão nem significa necessariamente um xingamento, às vezes é só a energia extravasando. 

O palavrão sempre esteve presente nas conversas do dia a dia, mas eu evitava isso nas músicas, até de forma natural. Sem forçar.

Mas um dia eu senti a necessidade de colocar um palavrão numa rima e pensei “mas eu não falo palavrão nas músicas”. Essa foi a primeira vez que me senti preso ao escrever e não gostei, por isso, resolvi quebrar essa regra.


Não quero que ninguém goste de mim porque eu não falo palavrão, porque eu falo uma pá de coisa relevante na minha poesia. E também não quero prisão artística nenhuma.


Não quer dizer que vai ter 4 palavrões a cada 2 linhas (risos). Só queria passar essa mensagem, de que minha poesia é livre.

RND: Quais as principais diferenças que você enxerga entre “Hora de Acordar” e “Tão Real”?

Rashid: Quando compus o Hora de Acordar, eu tinha 20 anos. Tava cheio de fome e energia que extravasava em um potencial que nem eu conseguia controlar.

Agora estou com 31, minha visão de mundo evoluiu. Minha visão de mim mesmo inclusive. Tudo mudou, mas ao mesmo tempo nada mudou.

Parece contraditório, mas quero dizer que eu sou um ser humano muito mais maduro agora, o que resulta numa arte muito mais madura e melhor desenvolvida, no meu caso.

Já a fome e a energia continuam iguais, só que agora eu sei usá-las.
A gente tem um apego emocional com o 
Hora de Acordar, ele representa um momento muito especial em nossas vidas. O Tão Real veio pra ser isso também, cumprir o papel de ser muito especial pra nós e nosso público, mas agora em 2020.

RND: Você já participou do DVD do Emicida, em dois do Projota, mas é o único dos Três Temores que não lançou nessa mídia/formato. Você tem planos pra isso?

Rashid: Tenho planos sim (risos). Estão me cobrando DVD já faz uns anos.

Tenho um projeto para um ao vivo que vai começar a ser desenvolvido em alguns meses talvez, vamos ver no que vai dar.

RND: Tem algum artista brasileiro com quem você ainda tem vontade de gravar? Por quê?

Rashid: Muitos. Imagine a Alcione num refrãozão? Uma estrofe de Djavan? Caetano, Gil, Seu Jorge, Gal Costa, Maria Bethania… vixi… A gente tem muita coisa pra fazer ainda até conseguir chegar nesse pessoal…

O álbum “Tão Real” do Rashid pode ser encontrado em todas as plataformas digitais, acesse taoreal.com.br

No dia 14 de fevereiro, Rashid fará o show de lançamento do álbum “Tão Real“.

A apresentação acontecerá no Sesc Pinheiros, em São Paulo, e contará com participações de Luccas CarlosDada YuteDrik Barbosa e Tuyo. Rashid será acompanhado de banda, DJ e dois backing vocals.

Serviço:

Rashid – Lançamento do álbum Tão Real

Participações: Luccas Carlos, Dada Yute, Drik Barbosa e Tuyo

Sexta-feira, 14 de fevereiro

21h

Local: Teatro Paulo Autran (1010 lugares)

Recomendação: 10 anos

Preços: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia entrada: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência) e R$ 12,00 (credencial plena do Sesc – trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes)

Venda de ingressos: online no portal do Sesc: a partir de 4/2 às 12h | Bilheterias do Sesc: a partir de 5/2, às 17h30 

Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195

Bilheteria: Terça a sábado das 10h às 21h. Domingos e feriados das 10 às 18h

Tel.: (11) 3095.9400

Estacionamento com manobrista: Terça a sexta, das 7h às 21h30; Sábado, das 10h às 21h30; domingo e feriado, das 10h às 18h30. Taxas / veículos e motos: para atividades no Teatro Paulo Autran, preço único: R$ 12 (credencial plena do Sesc) e R$ 18 (não credenciados).Transporte Público: Metrô Faria Lima – 500m / Estação Pinheiros – 800m

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