[Entrevista] Rômulo Boca conta sobre sua mixtape solo

Lançado hoje (23 de setembro), o primeiro trabalho solo de Romulo Boca desde seu anúncio levantava muitas dúvidas. Numa troca de ideia chamada entrevista, tiramos algumas respostas de Boca, que explicou o que esperar entrando na mixtape, uma visãozinha da cena nova e agradeceu seus manos.

O seu grupo, o A.L.M.A, é reconhecido por muitas coisas, dentre elas, a capacidade de se passar questões íntimas, de forma incisiva, mesmo que através de metáforas. O público pode considerar que o trabalho solo é uma busca por tornar a música ainda mais pessoal?

“A gente gosta de falar de coisa mais pessoais, mais introspectivas. Ao trabalhar solo, você consegue expandir a sua visão única da coisa. No A.L.M.A cada um tinha uma visão, a gente se contradizia e sempre respeitou muito isso. Acho que o público tem que ver esse trabalho solo como algo diferente, que expande a minha vivência e a minha visão das coisas que passei nos últimos 10 anos.”

Dentre os singles já lançados, dá pra notar que os temas e sonoridades variam bastante. Quão difícil é conciliar a construção da estética do seu primeiro trabalho solo com sua versatilidade?

“Na mixtape por mais que as músicas sejam muito diferentes, mas ‘tá’ bem amarrado. Tive o cuidado de chamar de Mixtape justamente pra não ficar tão preso aos conceitos de um álbum, de me preocupar com quantidade de letra e amarrar tudo. Talvez num futuro álbum eu vou precisar conciliar isso. A versatilidade na real te ajuda a amarrar o trabalho, quanto mais versátil tu for, melhor fica pra amarrar o projeto, porque se alcança mais pessoas.”

Com a cena tão inflada e intensa, como é ter que fazer a estreia solo, mesmo sendo “Veterano”?

“É maneiro pra caralho estar no meio dos moleque. Chegou muito moleque ai, tudo cria nossa e de outros malucos né. Eu na real não me considero um veterano, me considero bem novinho no rap, já que comecei em 2012. Acho muito dahora estar no meio deles, principalmente por estar na linha entre os velhos e os novos. Isso não me causa tensão nem coloca peso no ombro, eu acho maneiro.”

Já divulgou que o objetivo do trampo é conectar com as pessoas. Desde o lançamento do “O.I.M” no ano passado, você vem provando que trabalha bem na pluralidade de ter várias participações. Como é trazer participações pra um projeto que vem tão de dentro?

“Foi tranquilo trazer a molecada pra mixtape. São pessoas que interagem comigo no dia-a-dia, outros são irmãos de ideia, como o Teagacê, niLL, Zin, que eu escuto o som deles e me vejo ali. Não foi nenhum bicho de 7 cabeças juntar eles. Todo mundo ali se conversa sonoramente, tanto é que o Zin tem som com o Wendeus, com o niLL, Mastif tem som com o Wendeus. Todo mundo meio que já se conversa em bastidores e musicalmente, foi tudo bem natural.”

O que diria que o público pode e que deve esperar da mixtape como um todo?

“Sentimento, mano! Não vou ficar falando que é o melhor do ano, que é magnífico, que vai ser o divisor de águas, nada disso. Tem muito sentimento. Me emocionei várias vezes fazendo, quem tava no processo de criação se emocionou varias vezes. É isso que se pode esperar, algo que ao ouvir converse com você, que não te deixe sentir sozinho. Assim como eu me sentia há 10, 15 anos atrás quando ouvia Brown, Edi Rock, Ogi, Matéria Prima, Nego Gallo, Don L… O intuito é fazer com que as pessoas não se sintam sozinhas”

Alguma coisa que queria ter falado e eu perdi a oportunidade de perguntar?

“Eu queria agradecer! Agradecer todo mundo que se dispõe a estar do meu lado e sonhar comigo. A Laísa, que faz a assessoria. O César que é meu produtor. O Carlos que de alguma forma ta me empresariando. O Felix que ficou quase 90% da captação no estúdio comigo. A Joyce Mendes, que ta cuidando das minhas Merchs. O Rafael Vieira que é meu fotografo oficial e fez a capa, as capas de singles. A galera que me da um salve pra saber como eu tô, como eu to na música. E agradecer minha mãe, que tá 100% viva nesse CD, que me deixou esse legado, esse dom de fazer música e me expressar através da voz, que sai da boca, entra pelo ouvido da pessoa e pode mudar ela.

Quero agradecer também o Douglas Juba Prado, Dil, Heryke Vinicius, Henrique Aria, Dal Rodrigues, que foram os instrumentistas da mixtape. Além disso agradecer todo mundo que faz parte dela, Chinv, niLL, Zin, Felix, Wendeus, Teagacê, Mastif. Todo mundo que tá no meio ai faz música de verdade. Queria agradecer também a todos os beatmakers que fizeram parte. Nós!”

A mixtape já se encontra disponível no Youtube e demais plataformas de streaming.

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