Exclusivo: Marcão Baixada bate um papo com a gente e mostra sua nova mixtape, ‘Bastidores de Uma Vida Aleatória’

Marcão Baixada é um rapper e produtor brasileiro de São João de Meriti, RJ e integrante do ComboIO, grupo campeão do Take Back the Mic: A Copa do Mundo do Hip Hop.

Marcão Baixada é o resumo ideal de um rapper que busca saída nas entrelinhas, com ideias e inovações ao longo de sua carreira, depois da mixtape “Black Friday” que ficou em  47º na nossa lista de 60 melhores álbuns do ano de 2015, o rapper volta com tudo com sua mais recente mixtape, intitulada “Bastidores de Uma Vida Aleatória”.

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Capa

Com a pegada muito atual, seguindo o rap norte americano. A mixtape vem repleta de linhas geniais, e como sempre Marcão consegue bater na tecla do racismo de uma forma muito inteligente, como por exemplo na track “Automóvel Clube”, onde ele diz: “Se eu to de rolé na pista, adivinha quem toma revista? / Pode me seguir quando eu entrar na loja e bolar porque eu vou pagar a vista” — ouça na íntegra:

A mixtape tem dezenas de parcerias, os beatmakers são: Émilg Beats, Memê, DUZ, NeguimBeats, DJ LN, Thorvi, F2L, GU$TAVERA, Eddu Chaves e participação, de Hollywood Mantra.

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  1. Automóvel Clube
  2. Lobos
  3. 9mm
  4. Tudo Que Elas São
  5. O Bonde Mandou Avisar
  6. Perde a Linha
  7. Daytona
  8. Ninguém se Mexe
  9. Nino Brown
  10. Piscina (Interlúdio)
  11. Valeu
  12. Tudo Que Elas Não São (Acústico)

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E pra você que não conhece o rapper, batemos um papo bem maneiro com o Marcão, confira abaixo o currículo de dar inveja desse mano.

Fala Marcão, tudo certo!? Pra gente começar nosso papo, me diga: Quem é Marcão Baixada?

 Marcão Baixada é um jovem negro de 22 anos, nascido e criado na Baixada Fluminense, que tá nesse corre aí desde 2009. Sou um rapper que carrega o nome da região onde vivo no meu nome artístico e acredito ser o cara que veio pra dar continuidade ao legado de nomes como Slow da BF e Dudu de Morro Agudo, que é botar a Baixada no mapa de verdade na cena do Rap e da música brasileira.

Você não é só rapper, você é o verdadeiro MC (Mestre de Cerimônia), tanto é, que você sempre está envolvido em eventos culturais e de moda, seja solo ou até mesmo com o ComboIO, que é seu grupo. Como você enxerga tudo isso?

 Levou tempo pra entender esse processo. Hoje me enxergo como um artista que faz Rap, saca? Esse é o meu foco, mas não me impede de apresentar o lançamento de uma coleção de roupas e tênis, ou mandar uma rima num comercial dos Jogos Rio 2016. A formação que tive dentro do Enraizados e no ComboIO juntamente com os rolés que dei fora da Baixada pra entender a cena me fizeram um ‘jogadô caro’, porque eu jogo nas 11, saca? A música é só um dos produtos dessa indústria louca e nem só de Rap o Marcão viverá. (risos)

Continuando falando do ComboIO, vocês foram campeões mundiais do Take Back The Mic: “A Copa do Mundo do Hip Hop” lá em Miami, conte para nós como foi essa experiência.

 O Dudu (de Morro Agudo) marcou uma reú e nos inscrevemos no TBTM sem compromisso, mas acabou que mó galera votou na gente! Estávamos na semifinal e os idealizadores vieram pro Rio fazer uma entrevista. Depois tudo foi muito rápido! Passamos pra Grande Final e quando demos conta o bonde já tava de rolé em Miami Beach! Foram 4 dias loucos e a ficha demorou pra cair. Já tínhamos viajado pra gringa, mas tipo: EUA? Outra fita, né? E brother, fomos pra ficar em 3° lugar! O grupo que era o favorito é famosíssimo na Colômbia, tem som com o Emicida e o DJ e beatmaker deles foi o DJ oficial da tour da Beyoncé lá na Colômbia; a outra finalista era uma mina da Jamaica que cantava reggae e dancehall em inglês, bagulho pra cima! E nós com a nossa pegada bem de humilde em comparação ao nível dos outros artistas, mas acabou que faturamos o bang, saca? Acho que mais importante que vencer foi ver que o Rap feito no Brasil na visão dos jurados, não deixa nada a desejar pro Rap feito no país onde o gênero foi criado.

Você abriu o show do De La Soul nas duas últimas duas vezes que o grupo se apresentou no RJ, como foi pra você participar de algo tão histórico?

 Pra mim tem peso 2 porque o Rio sofre muito com a carência de shows internacionais de Rap, a realidade da cena do RJ é muito diferente da de SP, por exemplo, que é onde rola oferta e procura maior; lá já existe uma cultura de consumir, pagar pelas coisas, aqui isso ainda tá sendo trabalhado e tanto os artistas locais quanto os produtores e contratantes ainda quebram muita cabeça nessa questão, então ver shows desse porte acontecendo dá esperança de que a cena vai melhorar. E acredito que me envolver num lance assim é fruto de trabalho duro e só me mostra que tenho que ralar muito ainda pra um dia ser a grande atração da noite igual ao De La Soul. O grupo surgiu no fim da década de 80 e os caras tão na ativa até hoje! Ver a estrada do De La Soul só me inspira e me motiva a não desistir.

Você é um rapper com muitas skills e técnica admirável, e provou mais uma vez com essa nova mixtape. Como foi o processo dela? Já que você vem lançando single atrás de single depois da Mixtape “Black Friday”…

 Tinha um EP chamado “Geração 90” no forno desde 2012, 2013… e acabou que o projeto perdeu seu timing natural. E eu tava na onda dos remixes! Quando fiz minha versão de “Danny Glover” do Young Thug em 2014, a parada meio que virou um hit pra cena da BXD e o público sempre queria ouvir versões minhas de sons gringos. Isso me prejudicou de focar no trampo autoral. De lá pra cá acho que perdi um pouco do meu timing artístico também, cheguei numa identidade sonora que queria, mas não tinha nada concreto pra entregar. Daí fui recebendo propostas de collabs com alguns produtores e me animei com o material que recebi. Tentei escrever tudo numa pegada aproximada, fiz alguns beats também e logo acionei meu parceiro BZ pra gravar essas faixas novas no home studio da MTD Records, que é o selo dele que tá em formação e eu dou suporte nas ações. Tava desde Julho nessa missão, terminei de gravar na semana passada. Agora tá aí pra geral conferir!

Tem duas versões da música “Tudo Que Elas Não São”, uma delas em acústico. Isso mostra o quanto você é versátil e não para de inovar, como foi fazer algo assim?

 Eu escrevo poesia desde os 9 anos, fiz aula de guitarra com 10 e na época de escola fiz vários sons de Rock, voz e violão etc. Charlie Brown Jr. me influenciou muito à ter essa vibe e foi uma banda que me mostrou muita coisa do Rap, quando eu nem pensava em ser rapper! Me senti de volta à essa época quando gravei o acústico com o Hollywood Mantra. Fazer algo assim nos dias de hoje, mostra que eu posso estar livre de amarras, independentemente de ser do Rap, da MPB, etc. Eu quero é fazer som!

Você vai focar na mixtape ou já está com planejamento para começar 2017 com parcerias, clipes e novidades além do Rap?

 Quero tentar rodar na pista com essa mixtape, vender show e talvez até montar uma tour com um conceito mais definido. Espero que o público curta a mixtape e pilhe nos contratantes pra que isso seja possível. Mas não vou ficar parado não! Tem collab pra sair com o Pimpo$o, de CWB; também vou participar de uma coletânea e tô louco pra dropar música nova logo logo. No início de 2017 vou auxiliar na produção do álbum de estreia do BZ pela MTD Records; e seguimos jogando nas 11!

É isso Marcão, parabéns pelo trabalho. Deixa seus agradecimentos e considerações finais, e fica à vontade para falar sobre qualquer assunto para encerrar essa matéria, grande abraço!

 Forte abraço à equipe RND e um salve pra quem leu essa entrevista. Mixtape “Bastidores de Uma Vida Aleatória” na pista. Baixada é cruel!

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